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Os povos ceramistas que ocuparam a planície aluvial antes da conquista européia, Pantanal


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Os povos ceramistas que ocuparam a planície aluvial antes da conquista européia, Pantanal
José Luis S. Peixoto¹; Maria Angélica de O. Bezerra¹
¹UFMS/CPCO. E-mail: peixotoj@ceuc.ufms.br
Resumo

Os estudos sobre os povos indígenas ceramistas levam em consideração os aspectos espaço-temporais na produção e função dos artefatos. Os estudos arqueológicos sugerem que esses povos pertencem a Tradição Pantanal e são representados pelas fases Pantanal, Jacadigo, Castelo e Taiamã.


Termos de Indexação: arqueologia, povos indígenas, Pantanal, tradição Pantanal.
Abstract

The studies about pre-colonial Indian peoples` ceramics take into consideration the spacial-temporal aspects in the production and the function of the artefacts. The archaeological studies suggest that these peoples belong the Pantanal Tradition and them they are represented by the phases Pantanal, Jacadigo, Castelo and Taiamã.


Index Terms: archaeology, indian people, Pantanal, Pantanal tradition.

Introdução

Os povos indígenas praticamente desapareceram do Pantanal ao longo do processo de colonização. Num primeiro momento, sofreram com a ocupação espanhola, na tentativa de atingir as minas de prata no Peru e manter o monopólio da mão-de-obra indígena, durante o século XVI. Posteriormente, com o avanço da colonização portuguesa em direção ao extremo oeste, com a descoberta das minas de ouro de Cuiabá e a implantação das fazendas de gado no século XIX e início do XX. Nesse processo de ocupação territorial, econômico e político, a história indígena dos últimos 500 anos pode ser recuperada através de inúmeros documentos escritos, nos quais é possível obter informações sobre os povos indígenas que habitaram o Pantanal, conhecidos historicamente como Payaguá, Guaicurú, Guató, Xaray e Chané, entre outros.

No período pré-colonial a história indígena no Pantanal está depositada em sítios a céu aberto, implantados em morros e planaltos residuais e sítios denominados pela arqueologia de Aterros, implantados dentro da planície de inundação. Entretanto, até o momento não foi possível determinar nenhuma ligação entre os grupos étnicos conhecidos lingüistica e etnograficamente como responsáveis pelos Aterros. Em razão da necessidade de identificar os últimos, a arqueologia utiliza-se do termo tradição para definir elementos técnicos que evoluem separadamente num determinado espaço e através do tempo formam uma continuidade cronológica. Quando, numa tradição, alguns elementos técnicos, sobretudo cerâmicos, tornam-se ausentes ou diminuem numa determinada área geográfica e num determinado espaço de tempo, deve-se dividir em dois ou mais complexos cerâmicos que, juntamente com as diversas representações da cultura material, elementos sócio-políticos e religiosos, formam um complexo cultural denominado de fase arqueológica. É importante salientar que tanto a tradição quanto a fase são entidades arqueológicas que não implicam um significado tribal ou lingüístico. No caso do Pantanal, dentre os vários vestígios da cultura material, encontrada nos Aterros, destaca-se o material cerâmico, pela durabilidade diante da ação dos fenômenos ambientais e por possuir uma forte identidade cultural entre os povos americanos.

No extremo norte do Pantanal, os primeiros registros relativos ao material cerâmico são provenientes dos estudos realizados por Max Schmidt, durante as expedições dos anos de 1910, 1926 e 1928. Em Schmidt (1914:256-266) há uma breve descrição do material cerâmico coletado nos sítios Aterros na região do morro do Cara-cará (próximo à foz do rio São Lorenço), na Fazenda Descalvado e em Aterradinho, no alto curso do rio Paraguai (Schmidt, 1914:256-266, 1940). Entretanto, pouca informação tecnotipológica do material cerâmico é possível obter dos resultados publicados dessas expedições. Recentemente, Martins & Kashimoto (2000) realizaram escavações arqueológicas no sítio denominado de Rio Jauru e Riacho São Sebastião, a norte da bacia do alto Paraguai (região drenada pelos rios Jauru e Padre Inácio). Nesses locais os vestígios são predominantemente de cerâmica da tradição Descalvado e estão associados a objetos cerâmicos, carimbos, estatuetas cerâmicas antropomórfica e zoomórfica pertencentes a populações que ocuparam o local trezentos anos antes do início da colonização ibérica (Martins & Kashimoto, 2000:133-139).

No extremo Sul do Pantanal, Susnik (1959) realizou estudos numa cerâmica denominada de Caduveo – Mbayá de Punta Valinotti, proveniente de um sítio localizado entre Bahia Negra e Porto 14 de Mayo. Susnik faz uma breve descrição das formas e manufaturas das vasilhas, tipos de decoração plástica e pintada, tipos de pasta, que são associados ao grupo étnico Caduveo (Susnik, 1959:81). Conforme Susnik (1959:90), esse conjunto cerâmico manifesta elementos culturais de populações do Alto-Paraguai, Arawak-andinos e Guaicurú-chaqueño. Também foi desenvolvido um estudo referente a um Aterro, na margem do rio Paraguai, num local com grande quantidade de conchas de moluscos. Esse local é conhecido como Puerto 14 de Mayo, onde há um grande acúmulo de conchas pertencentes à espécie Pomacea canaliculata, que se fazem presente no sítio de forma inteiras e quebradas. Nesse sítio foram realizadas coletas de superfície e pequenas escavações (sem controle estratigráfico) nos anos de 1956 e 1990 (apud Oliveira, 2000:181), tendo sido encontrado material cerâmico (367 fragmentos, ano de 1956), instrumentos líticos, remanescentes de ossos de animais e humanos. Esse material foi descrito por Susnik (1959:91-101), que posteriormente realizou trabalhos de campo no mesmo sítio em 1990. Parte desse material cerâmico (422 fragmentos), da coleção depositada no Museu Etnográfico Andrés Barbero (Assunção, Paraguai), foi descrita por Oliveira (2002:181-184) e classificada como possivelmente pertencente à tradição Pantanal.

No Pantanal, os estudos sistemáticos envolvendo grandes volumes de fragmentos cerâmicos somente foram desenvolvidos por Rogge (1996) e Schmitz et al. (1998), que estabeleceram uma nova tradição para a cerâmica pertencente aos Aterros, denominada de tradição Pantanal, incluindo a fase Pantanal e Jacadigo. Também Migliacio (2000), durante estudos no Pantanal de Cáceres e Peixoto (2003), nas lagoas do Castelo e Vermelha (MS), estabeleceram duas novas fases ceramistas vinculadas à tradição Pantanal, denominada de fase Taiamã e Castelo, respectivamente (Figura 1).




Figura 1. Mapa do Pantanal com a área de influência da tradição Pantanal com suas respectivas fases. Fase Pantanal e Jacadigo (1), Fase Castelo (2) e Fase Taiamã (3). Fonte: Peixoto (2003), com modificações.
Pantanal: tradição e fases ceramistas

Os primeiros estudos tecnotipológicos sobre o material cerâmico do Pantanal foram realizados por Rogge & Schmitz (1992, 1994/1995), que apresentaram os primeiros resultados sobre a cerâmica coletada em Aterros na região das lagoas do Jacadigo e Negra, encostas de morros próximos à cidade de Corumbá e Pantanal do Abobral. Através de análises sistemáticas a partir da cultura material proveniente das coletas de superfície e escavações (29.854 fragmentos cerâmicos e algumas peças inteiras) e associado ao padrão de assentamento, indústria lítica, remanescentes faunísticos e datações absolutas, Rogge (1996) propôs para o Pantanal Sul-mato-grossense uma nova tradição, denominada de tradição Pantanal, dividida entre as fases Pantanal e Jacadigo e um sítio isolado não incluído em nenhuma fase. De acordo com Rogge (1996:197-200) e Schmitz et al. (1998:221-229) a tradição Pantanal não dispõe de período cronológico definitivo. Entretanto, com base em idades radiocarbônicas, supõe-se que essa tradição se observa no Pantanal entre 2.200 anos antes do presente (A.P.) até alguns séculos que antecedem a chegada dos colonizadores europeus, embora haja possibilidades de pertencerem a grupos étnicos coloniais.

A fase Pantanal está relacionada aos Aterros, que parecem indicar ocupações mais contínuas e estáveis, implantados a céu aberto, dentro da planície de inundação, sobre diques fluviais e lacustres. As escavações arqueológicas nesses Aterros revelaram que os estratos inferiores apresentam remanescentes de peixes, répteis, aves, mamíferos, moluscos gastrópodos (principalmente Pomacea sp) e sepultamentos humanos. O material cerâmico é proveniente da coleta de superfície e escavações (25.914 fragmentos) e possui os seguintes padrões tecnotipológicos:


  • Manufatura: acordelada e grau de dureza em média 3 na escala de Mohs;

  • Cor da Superfície1 e Queima: vermelho amarelado (5YR5/8), cinza (5Y4/1), marrom escuro (7.5YR4/2) e preto (7.5YR2/0); queima oxidante incompleta;

  • Espessura dos fragmentos: média de 10mm;

  • Tratamento da superfície: técnica alisada é a mais comum; na decoração plástica destacam-se o Corrugado Simples e suas variáveis (Corrugado Simples Alisado, Corrugado Simples Riscado, Corrugado Simples Digitado, Corrugado Simples Espatulado, Corrugado, Corrugado Ungulado), Roletado, Serrungulado, Escovado, Beliscado, Nodulado, Acanalado, Aplicado, Inciso e Impressão de Corda; na decoração pintada destacam-se o engobo Vermelho, Branco, raramente pintura Vermelha ou Preta em traços;

  • Antiplástico: grãos de quartzo com diâmetro entre 0,5 a 1,5mm (areia fina) e 3mm (areia grossa), com predomínio de grãos com 0,5mm; cerâmica triturada (1 a 2mm); concha triturada com pouca ocorrência;

  • Bordas: extrovertidas com reforço junto ao lábio são características que podem servir de diagnóstico desta fase;

  • Formas das vasilhas: “contorno infletido, com inflexões suaves, em formas abertas não restringidas ou inflexões mais fortes originando formas restringidas, algumas vezes apresentando um estreito gargalo, semelhantes a bilhas para conteúdos líquidos” (Rogge, 1996:198); diâmetro de abertura de boca 12 a 34cm;

  • Capacidades volumétricas: sem informação;

  • Artefatos: disco com entalhe, ficha, discos perfurados, fragmentos com perfuração, rodelas de fuso, peça retangular perfurada, fragmentos de cachimbo;

  • A indústria lítica: “apresenta algumas lascas retocadas núcleo unipolares, bifaces talhados em lamelas de hematita, lâmina-de-machado com gumes lascados e evidências de encabamento e algo que chama a atenção, pequenos seixos alongados de manganês ou xisto totalmente polidos e, algumas vezes, facetados” (Rogge, 1996:198);

  • Remanescentes faunísticos: há predomínio na captura de peixe e coleta de moluscos gastrópodos (principalmente Pomacea sp), seguidos de répteis, aves, mamíferos; há vários instrumentos e adornos que utilizam ossos desses animais.

A fase Jacadigo está relacionada a sítios a céu aberto que estão implantados na borda de planaltos residuais e protegidos das inundações. Os grupos que ocuparam esses assentamentos parecem não explorar sistematicamente os recursos da planície de inundação, ao contrário da fase Pantanal. O material cerâmico é proveniente da coleta de superfície e escavação (2.676 fragmentos) e possui os seguintes padrões tecnológicos:




  • Manufatura: acordelada e grau de dureza alta em média 3,5 a 4 na escala de Mohs;

  • Cor da Superfície e Queima: superfície avermelhada e núcleo preto; superfície vermelha e núcleo vermelho; queima oxidante incompleta;

  • Espessura dos fragmentos: 6 a 16mm;

  • Tratamento da superfície: técnica Alisada é a mais comum; o Corrugado simples e suas variáveis (Corrugado e Corrugado Ungulado), Roletado, Beliscado, Serrungulado, Aplicado e Apêndices em forma de botão e de alça;

  • Antiplástico: areia fina (> 1mm) e areia grosa (2 a 5mm), hematita, feldspato e cerâmica triturada (< 3mm);

  • Bordas: diretas ou levemente infletidas e raramente apresentam algum tipo de reforço;

  • Formas das vasilhas: “às formas do vasilhame, além dos comuns pratos e tigelas de contorno simples ou infletido não restringido, há presença de formas com contornos complexos, carenados e formas restringidas com pescoço bastante pronunciado, alguns muito parecidos com tipos de panelas da tradição Tupiguarani” (Rogge, 1996:199); diâmetro de abertura de boca 10 e 30cm;

  • Capacidades volumétricas: sem informação;

  • Artefatos: ficha e apêndices;

  • Remanescentes faunísticos: não há remanescentes de peixes e moluscos gastrópodos, mas ocorre répteis, aves, mamíferos.

A fase Taiamã foi estabelecida através de atributos tecnológicos, estilísticos, morfológicos, que foram submetidos a testes estatísticos associada a datações por termoluminescência. Essa fase foi definida a partir do material cerâmico proveniente de escavações em Aterro, localizado no Pantanal de Cáceres (MT). Considerando que o material cerâmico possui elementos ausentes e similares à tradição Pantanal, Migliacio (2000) propõe uma nova fase, denominada de fase Taiamã, com período cronológico entre 1.200 e 1.050 anos A.P. Esse material cerâmico é proveniente da coleta de superfície e escavação e possui os seguintes padrões tecnológicos:




  • Manufatura: acordelada e grau de dureza não apresentada;

  • Cor da Superfície e Queima: superfície parda; superfície cinza-escuro a negro; queima oxidante incompleta;

  • Espessura dos fragmentos: entre 4 a 12mm com freqüências entre 6 a 8mm;

  • Tratamento da superfície: técnica Alisada é a mais comum; decoração plástica preponderante é Corda Impressa e com menor freqüência e Incisa com suas variáveis (Incisa Linear, Incisa Barra, Incisa Ponteada);

  • Antiplástico: cerâmica triturada (predomina com 38,64%), concha triturada (2,27%), grãos sub-arredondados de quartzo, Cauixí (4,55%), areia fina, havendo combinação entre esses elementos;

  • Bordas: apresentam-se em sua maioria infletidas e em menor freqüência extrovertidas e diretas;

  • Formas das vasilhas: “...evidenciam uma grande ênfase nas vasilhas restringidas (73,08%), apropriadas para cozinhar. Por outro lado, há uma pequena presença das vasilhas abertas (11,54%). As restringidas com gargalo representam 15,38% do total de vasilhas” (Migliacio, 200:315); diâmetro de boca máximo 40cm (Figura 39, p. 105);

  • Capacidades volumétricas: > 2 litros a > 20 litros; maior freqüência < 4 litros;

  • Resumo: essa indústria produziu vasilhas de capacidades volumétricas reduzidas que permitem associá-la ao preparo e cozimento de alimentos de grupos humanos relativamente pequeno;

  • Indústria lítica e remanescentes faunísticos: não há informação.

A fase Castelo foi estabelecida através de atributos tecnológicos, estilísticos, morfológicos e associada a datações radiocabônicas e termoluminescência. Essa fase foi definida a partir do material cerâmico proveniente de escavações em Aterros, localizados na região das lagoas do Castelo e Vermelha. Os estudos sugerem um continuum espaço-tempo das culturas ceramistas, não havendo evidências de sucessivas invasões de grupos ceramistas, no período pré-colonial. Peixoto (2003), utilizando-se de atributos tecnológicos da cerâmica (tratamento de superfície, antiplástico, formas das vasilhas) e temporais e espaciais (datas de 14C e área geográfica), sugere o reconhecimento de uma nova fase dentro da tradição Pantanal, denominada de fase Castelo. O período cronológico não é definitivo, condicionado a datações radiocarbônicas disponíveis. Supõe-se que essa fase inicia-se a partir de 2.640 anos A.P., apresentando-se, portanto, como o material mais antigo dentro da tradição Pantanal. O material cerâmico é proveniente da coleta de superfície e escavação (11.540 fragmentos) e apresenta os seguintes padrões tecnológicos:




  • A manufatura: acordelada e grau de dureza 3 na escala de Mohs;

  • Cor da superfície: vermelho (2,5YR5/8 Red), bruno muito claro-acinzentado (10YR7/4 very pale brow) e preto (1 for gley/2,5 black);

  • As espessuras dos fragmentos: variam entre 3 a 16mm com predomínio entre 6 a 11mm;

  • Tratamento da superfície: Alisado, Polido, Inciso, engobo Branco e Vermelho;

  • Antiplásticos: areia grossa, areia fina, concha triturada, cauixí [Drulia browni, (Bowerbank, 1863)], fragmentos de rocha calcária e carvão vegetal;

  • Formas das vasilhas: formato de elipsóide aberto e elipsóide restringido parcial apresentando borda direta, extrovertida e reforço externo; lábio plano, redondo, apontado e abrupto externo, bojos esféricos e meio calota e bases plana e arredondada;

  • Capacidades volumétricas: variam entre 0,2 a 6 litros, embora apresentem vasilhas com capacidades que atingem os 33,5 litros;

  • Artefatos: peso de fuso, disco com entalhe (Peso-de-rede), fichas com extremidades polidas e cachimbo de formato cônico.

  • Indústria lítica: pouca ocorrência de instrumentos, sendo que os procedimentos técnicos utilizados na fase final da confecção dos instrumentos são o picoteamento, polimento e raramente o lascamento; as rochas utilizadas são Calcário, Minério de Ferro, Manganês, Arenito e Quartzo; instrumentos alisadores, raspadores, lâmina de machado, mão-de-pilão e pingentes esculpidos com forma de animais;

  • Remanescentes faunísticos: os peixes de pequeno porte, sobretudo os da família Doradidae (Roque-roque/Armao) e gênero Pimelodus (Bagrinho), constituíam a base alimentar mais previsível da dieta, completada pela caça de alguns répteis, aves e mamíferos.


Conclusões

Os povos ceramistas pertencentes à tradição Pantanal, que ocuparam a porção norte da borda oeste do Pantanal, caracterizam-se como produtores de uma indústria cerâmica com atributos bastante consolidados. A transmissão do conhecimento na produção cerâmica mantém-se ao longo das gerações, sobretudo no período compreendido entre 2.640 anos A.P. até a chegada dos colonizadores europeus. Essa indústria cerâmica parece indicar uma estreita ligação mais com o preparo de alimentos e cozimento do que com a sua estocagem e/ou armazenamento.

Enfim, o material cerâmico pertencente à tradição Pantanal sugere uma continuidade cultural, não havendo evidências de sucessivas invasões de grupos ceramistas no período pré-colonial. Algumas características tecnológicas da cerâmica, associadas aos aspectos temporais e espaciais, sugerem o reconhecimento de distintas indústrias cerâmicas representadas pelas fases Pantanal, Jacadigo, Castelo e Taiamã, o que representa uma forte interação regional entre os povos indígenas que ocuparam a planície aluvial do Pantanal antes da chegada dos conquistadores europeus. À medida que as pesquisas arqueológicas avançam em outras direções, a tradição Pantanal tende a expandir-se, cobrindo extensas áreas do Pantanal e, possivelmente, atingindo as imensas áreas úmidas meridionais sul-americanas.
Agradecimentos

Os autores agradecem o apoio financeiro da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado do Mato grosso do Sul (Fundect) e a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).



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1 As cores foram determinadas de acordo com Munsell Soil Color Chart (1994).



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