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Neto anuncia prisão de centenas de rebeldes


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Jornal: O Estado de São Paulo

Data/pg: 01/06/1977 p. 2.

Manchete: “Neto anuncia prisão de centenas de rebeldes”

Fonte: O Estado de São Paulo

Assunto: A matéria é sobre o comunicado feito por Agostinho Neto, via rádio, que ocorreu a prisão de centenas de implicados na fracassada tentativa de golpe, entre os quais vários membros de diversos escalões do MPLA e das Forças Armadas da região de Luanda e das províncias. Ressalta que além das medidas de controle, a cargo das tropas cubanas nas ruas de Luanda, e do toque de recolher que continuava a vigorar na capital, o governo Neto tinha implantado uma rigorosa censura à imprensa (que atingia principalmente os correspondentes estrangeiros, já que a imprensa do país era toda oficial) que só tinha permissão de publicar ou transmitir ao exterior, os comunicados governamentais.

Enfatiza que os líderes, Nito Alves e Joseph Van Dunem estavam foragidos, mas que entre as prisões anunciadas encontravam-se membros das lideranças sindicais, do movimento Juventude do MPLA, da Organização das Mulheres Angolanas, “altos responsáveis do MPLA e importantes chefes militares” (Comandante Bakalu – Comissário Político da FAPLA), comissários provinciais de Luanda e Malange.

Informa que os golpistas tinham constituído um Comando Político e um Comando Operativo, que “contava com ramificações em vários pontos do país”.

Neto defendeu ainda, que Angola estava ligada a Cuba por um acordo de defesa total da revolução, mas que era falso afirmar que o “esmagamento dos bandidos fraccionistas” devia-se à presença cubana. Continuou, tendo se queixado de “certos meios internacionais de comunicações” que chegaram a noticiar que Angola estava cada vez mais submetida aos soviéticos, o que disse ser um erro grotesco. Uma vez que, afirmou que os soviéticos estavam alheios aos problemas internos do país e, que era clara a participação de estrangeiros na conspiração. Todavia, não forneceria nomes naquele momento. Terminou seu discurso tendo dito que os fraccionistas de Alves eram totalmente reacionários e que era preciso combater a reação fosse ela de direita ou de esquerda.



Por fim, a matéria informa através de fontes de Johannesburgo citadas pela DPA, que o número de mortos em conseqüência da revolta havia sido bem maior do que o anunciado (100), e que entre os funcionários do governo desaparecidos – provavelmente mortos pelos rebeldes – encontrava-se o chefe do Departamento Econômico do Ministério do Exterior, Garcia Neto.

OBS: Matéria de conteúdo semelhante na Folha de São Paulo, dia 01/06/1977, p. 12, com a manchete “Agostinho Neto revela que mais de cem foram detidos”. No O Globo, dia 01/06/1977, p. 16, com a manchete “Angola prende em massa participantes de complô”. No Jornal do Brasil, dia 01/06/1977, p. 7, com a manchete “Angola prende mais de 100 rebeldes e impõe estrita censura contra a imprensa”.




Jornal: O GLOBO

Data/pg: 02/06/1977 p. 21.

Manchete: “FNLA exige saída de cubanos”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria é sobre um comunicado divulgado pela FNLA através do qual exigia a retirada das forças cubanas de Angola, como condição prévia para a solução dos problemas angolanos. Acrescenta que a rebelião contra o governo Neto era uma tradução fiel do clima político nas áreas subjugadas pelo MPLA e, era resultado da degradação progressiva do regime “minoritário de Agostinho Neto”, que se mostrava incapaz de cumprir com suas promessas demagógicas e que se mostrava incapaz de cumprir com suas promessas demageram que bater em retirada da colanas.que a situação social da população era cada vez pior. Hendrik Vaal Neto afirmou que sem as tropas estrangeiras Neto não se manteria no poder.

OBS: Matéria de conteúdo semelhante no Jornal do Brasil, dia 02/06/1977, p. 13, com a manchete “FNLA acredita no desgaste de Neto”.



Jornal: O Estado de São Paulo

Data/pg: 03/06/1977 p. 2.

Manchete: “Cabinda: presença cubana é ampliada”

Fonte: O Estado de São Paulo

Assunto: A matéria informa que tropas cubanas haviam reconquistado uma cidade estratégica no enclave de Cabinda, “depois de uma sangrenta batalha”, na qual morreram 400 homens, segundo o porta-voz da FLEC, Bernard Bory. Este último acrescentou que as forças de seu movimento tinham abandonado a 11 dias a cidade de Dinge, situada num entroncamento ferroviário, depois de tê-la ocupado durante três dias. A retirada havia sido conseqüência da pressão das forças angolanas, que receberam um reforço de aproximadamente 2 mil soldados cubanos. Ressalta que o governo angolano fornecia parcas informações sobre o que ocorria em Cabinda.

Enfatiza que Bory negou ter pedido ajuda a governos europeus e que as armas que tinham conseguido dos cubanos eram suficientes para equipar um exército de 15 mil homens.

Afirma que Lisboa estava realizando gestões junto ao governo angolano para conhecer qual era a situação dos cidadãos portugueses detidos naquele país, sob a acusação de terem participado da tentativa de golpe contra o governo Neto.


OBS: Matéria de conteúdo semelhante na Folha de São Paulo, dia 03/06/1977, p. 8, com a manchete “FLEC perde cidade em Cabinda”. No O Globo, dia 03/06/1977, p. 15, com a manchete “FLEC admite perda de cidade”. No Jornal do Brasil, dia 03/06/1977, com a manchete “Cubanos e angolanos combatem em Cabinda”.




Jornal: O Estado de São Paulo

Data/pg: 04/06/1977 p. 9.

Manchete: “Crise econômica enfraquece o MPLA”

Fonte: Santana Mota – correspondente para O Estado de São Paulo

Assunto: A matéria trata da crítica do jornalista à censura da imprensa pelo governo angolano. Afirma que os mesmos jornalistas que antes tão indignadamente protestavam contra a ofensa que a censura significava para a sua dignidade profissional, pareciam abençoar as algemas que o governo lhes colocara nos pulsos. Ressalta que era verdade que a população, em desforra, cada vez comprava menos jornais, mas que isso não implicava que não tivessem que pagar por ele, fosse diretamente por meio de impostos, ou indiretamente devido ao encarecimento da vida e da bolsa popular que estipulava a verba necessária à manutenção de tais periódicos.

Enfatiza em seguida o desmantelo a que chegara a economia angolana após a debandada portuguesa, com a crise dos alimentos, que os tornava praticamente inacessíveis para as classes mais humildes. E que era precisamente isso que estava criando uma atmosfera de mal-estar e de revolta e havia propiciado a tentativa de golpe contra o governo.






Jornal: O GLOBO

Data/pg: 04/06/1977 p. 18.

Manchete: “Angolanos rebeldes juntaram-se à FNLA”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria trata de um comunicado expedido pela FNLA, segundo o qual o ex-Ministro Nito Alves e o Comissário Político Joseph Van Dunem teriam se apresentado às tropas guerrilheiras da FNLA, na Província de Malanje.

Ressalta que Nito Alves fora responsável pela criação das milícias populares angolanas, chamadas de “poder popular” e calculadas em 15 mil homens somente em Luanda. Defendia à participação mais direta dos homens de sua etnia, negros, no Governo Neto, cujo ministério era formado apenas por mulatos, por ele chamado de assimilados. Politicamente, a matéria afirma que Alves se apresentava como radical de esquerda e, lutava pela retirada das tropas cubanas do solo angolano e pelo maior entrosamento com a URSS, em nível técnico e de treinadores – instrutores.



Por outro lado, enfatiza que uma coluna composta de 350 homens do “poder popular” entregara-se aos guerrilheiros da província de Ambrizete, tendo informado que haviam sido mortos 20 altos dirigentes do MPLA, entre Ministros, Secretários de Estado e Comandante de tropa.




Jornal: Jornal do Brasil

Data/pg: 07/06/1977 p. 8.

Manchete: “Neto ignorava plano invasor”

Fonte: Jornal do Brasil

Assunto: A matéria informa que o líder da Frente Nacional de Libertação do Congo, Nathanael Mbumba, que comandara a invasão do Zaire por tropas katanguesas, revelou a revista Jeune Afrique que Neto ignorava totalmente o plano militar dos rebeldes de Shaba. Por seu lado, Neto afirmou que a invasão fora uma operação precipitada, para não dizer improvisada.




Jornal: O Estado de São Paulo

Data/pg: 08/06/1977 p. 11.

Manchete: “Mais tropas cubanas enviadas a Cabinda”

Fonte: O Estado de São Paulo

Assunto: A matéria trata de um comunicado divulgado pela FLEC, segundo o qual informava que 1.800 soldados cubanos haviam desembarcado em Cabinda juntamente com grandes reforços angolanos e material de guerra soviético e tchecoslovaco. Ressalta a declaração do Presidente Provisório de Cabinda, Nzita Henriques Tiago, na qual denunciou que os cubanos estavam bombardeando o interior do território do enclave, tendo iniciado um genocídio do povo de Cabinda.

OBS: Matéria de conteúdo semelhante no O Globo, dia 08/06/1977, p. 18, com a manchete “Rodésia ameaça cortar energia de Zâmbia”. No Jornal do Brasil, dia 08/06/1977, p. 9, com a manchete “Cabinda denuncia cubanos”.




Jornal: O Estado de São Paulo

Data/pg: 09/06/1977 p.2.

Manchete: “Havana manterá tropas em Angola”

Fonte: O Estado de São Paulo

Assunto: A matéria é sobre a declaração de Fidel Castro, em entrevista a rede ABC de televisão dos EUA, que havia cortado a retirada de suas tropas de Angola, uma das exigências impostas por Washington para o reatamento de relações diplomáticas entre os dois países.

Enfatiza que o mandatário cubano enviara um telegrama a Neto, expressando “a solidariedade do povo cubano com o governo e com o MPLA pelos acontecimentos do 27 de maio”. Na mensagem Castro reiterou a afirmação de que os combatentes e o povo cubano estariam sempre ao lado dos angolanos na luta comum contra as manobras imperialistas.



Informa, usando como fonte a revista Opção de Lisboa, a defesa de Neto de que existiam “camaradas cubanos e soviéticos”, mas que não faziam parte de nenhum bloco militar. Queriam criar um estado socialista, e tinham vínculos com a URSS porque esta os ajudava nesta missão. Eram independentes de quaisquer pactos militares e continuariam a sê-lo. Quanto ao 27 de maio, ainda que não tenha mencionado, na mesma entrevista, os nomes dos líderes da rebelião, Nito Alves e Joseph Van Dunem, nem as medidas que seu governo pretendia tomar contra os envolvidos, Neto afirmara que os rebeldes “pretendiam levar o país a um enfrentamento imediato entre a classe trabalhadora e a pequena burguesia”. Acrescentou que os acontecimentos haviam limitado-se à capital, tendo envolvido uma parte muito pequena da população e, que apesar dos esforços dos esquerdistas, eles não haviam obtido nenhum apoio nas províncias.

OBS: Matéria de conteúdo semelhante na Folha de São Paulo, dia 09/06/1977, p. 12, com a manchete “Neto relata sua versão do golpe frustrado”. No O Globo, dia 14/06/1977, p. 14, com a manchete “Castro envia mensagem a Neto”.




Jornal: O Estado de São Paulo

Data/pg: 10/06/1977 p. 11.

Manchete: “FLEC ataca em Cabinda e 22 cubanos são mortos”

Fonte: O Estado de São Paulo

Assunto: A matéria informa que a FLEC atacou as localidades de Landana e Malembo, tendo matado 22 integrantes das forças conjuntas cubano-angolanas, segundo Nzita Tiago, Presidente do Governo Provisório de Cabinda. Por outro lado, acrescenta que haviam morrido em combate seis guerrilheiros, mas que tinham conseguido tomar grande quantidade de material bélico dos cubanos e angolanos. O relatório, ainda afirma que 8 mil homens da FLEC continuavam defendendo suas posições, apesar da contínua chegada de reforços cubanos e que este havia sido o último ataque antes do assalto final para a libertação de Cabinda.

OBS: Matéria de conteúdo semelhante no O Globo, dia 10/06/1977, p. 15, com a manchete “Moçambique: Rodésia matou mais de mil civis – Luta em Cabinda”. No Jornal do Brasil, dia 10/06/1977, p. 7, com a manchete “Ofensiva de separatistas em Cabinda provoca 22 mortos entre cubanos e angolanos”.




Jornal: O Estado de São Paulo

Data/pg: 12/06/1977 p. 12.

Manchete: “Mobutu volta a acusar Neto pela invasão do Zaire”

Fonte: O Estado de São Paulo

Assunto: A matéria é sobre a declaração do Presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko, através da qual voltou a acusar Neto pela invasão da província de Shaba por antigos gendarmes katangueses. Acrescenta que Neto conseguira convencer empresários internacionais a colaborarem com a invasão da antiga província de Katanga mediante promessas de que, mais tarde, os deixaria explorar as minas de cobre da região e transportar minério pela ferrovia de Benguela.

OBS: Matéria de conteúdo semelhante no O Globo, dia 12/06/1977, p. 28, com a manchete “Mobutu agradece ajuda belga”.




Jornal: Jornal do Brasil

Data/pg: 13/06/1977 p. 8.

Manchete: “Angola pode enviar tropas para lutar no sul da África”

Fonte: Jornal do Brasil

Assunto: A matéria trata da declaração do Presidente Neto de que poderia enviar tropas para sul da África para ajudar nas guerrilhas travadas na Rodésia, Namíbia e África do Sul, tendo afirmado que “essa seria a melhor maneira de retribuir o auxilio militar cubano durante a guerra civil angolana” e que fosse posto em prática o principio do internacionalismo proletário. Acrescenta, fazendo menção a FLEC, que o governo não admitiria organizações paralelas e que quem mandava em Angola era o MPLA.




Jornal: O Estado de São Paulo

Data/pg: 14/06/1977 p. 12.

Manchete: “Neto ordena mais prisões”

Fonte: O Estado de São Paulo

Assunto: A matéria informa que o Ministro do Comércio de Angola e David Aires Machado e o ex-ministro do Trabalho de Portugal e membro do PCP, Costa Martins, haviam sido presos por terem participado da tentativa de golpe contra o governo Neto. Ressalta um discurso do Presidente Neto, no qual afirmou que os intelectuais de origem burguesa, alguns dos quais angolanos, outros estrangeiros, ao não terem conseguido fazer a revolução em seu próprio país tinham vindo fazê-la em Angola. Os observadores consideraram esta declaração como uma critica aos comunistas portugueses.

Enfatiza o depoimento de Rui Coelho, “assessor ideológico de Nito Alves” e membro do PCP, no qual afirmara que “os golpistas acreditavam que o governo de Angola estava dominado por forças direitistas, anti-soviéticas, e que na direção do MPLA havia elementos social-democratas”.

Segundo a matéria, Neto voltara a exaltar a ajuda soviética e cubana a Angola afirmando que jamais seriam esquecidas.

Informa que Raul Castro regressara a Cuba, depois de uma demorada visita a Angola e que segundo os observadores, Havana estava tentando consolidar sua influência e ampliar sua presença no continente africano.



OBS: Matéria de conteúdo semelhante (parcial) na Folha de São Paulo, dia 11/06/1977, p. 7 “Angola prende Costa Martins”. No O Globo, dia 11/06/1977, p. 19, com a manchete “Detido ex-Ministro português”. Ainda no O Globo, dia 13/06/1977, p. 17, com a manchete “Preso Ministro do Comércio de Angola”. No Jornal do Brasil, dia 11/06/1977, p. 9, com a manchete “Luanda detém ex-Ministro de Portugal”.




Jornal: O Estado de São Paulo

Data/pg: 15/06/1977 p. 10.

Manchete: “Cubanos em Angola preocupam os EUA”

Fonte: O Estado de São Paulo

Assunto: A matéria é sobre a declaração do Embaixador junto as Nações Unidas, Andrew Young, segundo a qual afirmara que o governo do Presidente Jimmy Carter havia fracassado, até aquele momento, em suas tentativas de persuadir Cuba para que retirasse suas forças militares de Angola.

Em Cabinda, enfatiza que a FLEC informou que estava travando violentos combates com forças cubanas e angolanas e, que embora o número de baixas fosse grande de ambos os lados, seus militantes haviam conseguido repelir cubanos e angolanos na Frente Noroeste, tendo feito com que fugissem até Dinge, no centro do enclave. Por outro lado, reconheceu que na Frente Oeste suas tropas tiveram que bater em retirada da cidade de Landana.




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