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José Lhomme o livro do Médium Curador


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José Lhomme
O Livro do Médium Curador
Título original em francês

José Lhomme - Le livre du médium guérisseur
Prefácio e tradução - Dr. Francisco Klor Werneck
É preciso que a nossa curiosidade tome um outro caminho que não o que está trilhando atualmente. Ela deve dirigir-se do físico e do fisiológico para o mental e o espiritual.

Dr. Aléxis Carrel

Théodore Rousseau - Genebra

Conteúdo resumido
Entre outros aspectos retrata esta obra o trabalho fecundo do médium curador, como instrumento do Além e artífice da Bondade procurando servir sem medo e sem censura a cura do espírito e do corpo.

Explica ainda as causas das provações, como preparar a água magnetizada, ações à distância, o papel do médium curador e inúmeros outros assuntos de real interesse para todos aqueles que têm o dom divino de curar.

Esta pequena obra e feitas de pequenas pincelas dos grandes magnetizadores do passado e tendo como uma linha orientadora o trabalho do Codificador da Doutrina Espírita Allan Kardec.
Sumário

Prefácio da edição francesa / 05

Prefácio da edição brasileira / 08

Introdução / 12

1 - A necessidade de uma instrução preliminar / 15

A Constituição do homem

2 - As causas das provações / 17

A lei da justiça imanente

A linha da conduta espírita

Os escolhos do principiante

3 - O médium curador / 21

Comportamento, regime alimentar, gênero de vida, marcha, respiração

O enfermo

Os remédios

4 - A gradação das faculdades curadoras / 26

A Aura Humana

O magnetismo

Que é magnetismo?

Princípio de base

O fluido vital

Ação do pensamento sobre o fluido humano

Ação do fluido magnético

Qualidade dos fluidos

Polaridade humana

5 - A ação magnética / 36

Colocação em estado de relação

Imposição das mãos

Passes


Passes longitudinais simples ou vitalizantes

Passes longitudinais duplos

Passes transversais ou de descarrego

Passes rotativos

Insuflações

Sopro quente

Sopro frio

Jato fluídico

Magnetóforos

Água magnetizada

Duração da ação magnética dos magnetóforos

Ações à distância

Tratamento de algumas afecções orgânicas segundo Mesmer

Tratamento conforme Numus

Ação esterilizante das radiações humanas

O poder mumificador do fluido humano

Alguns conselhos

Duração e variabilidade dos tratamentos

Os insucessos dos magnetizadores

Descarrego pessoal do magnetizador

6 - O médium curador / 52

Papel do guia do médium

Papel da prece e do médium curador

Preparação mental no momento dos tratamentos mediúnicos

Preces do médium curador

Prece por um obsessor

Preces por um enfermo

O fluido espiritual

Automatismo psíquico

Hipersensibilidade

Clarividência

7 - As doenças psíquicas / 60

Loucura ou possessão

Obsessão


Alguns casos de obsessão espírita

Assombramento psíquico

8 - As influências mentais / 70

Emoções que matam e emoções que fortalecem

Imaginação desordenada

Efeitos fisiológicos de elevação espiritual

9 - O que se deve responder aos enfermos / 76

Intelectuais, tende fé

Ao médium curador

Prefácio da edição francesa


A conquista da saúde não basta. É o progresso da pessoa humana que se trata de obter porque a qualidade da vida é mais importante do que a própria vida.

Dr. Alexis Carrel


"Esta obra é um guia destinado às pessoas de coração". Tais palavras, que o leitor notará nas primeiras linhas de sua introdução, indicam que o pensamento que inspirou o Autor, meu prezado amigo José Lhomme, quando ele compôs o presente trabalho ao mesmo tempo tão simplesmente escrito e tão rico em ensinamentos, em conselhos preciosos, oriundos, uns e outros, de uma longa e conscienciosa experiência.

Repito que se trata bem de um Guia que o eminente espírita belga quis presentear a quem queira servir na via nobre e generosa do sacrifício e da renúncia que é aquela onde se encontram os que sofrem e também os que choram. Diante da dor alheia e graças às possibilidades infinitas que as forças benfazejas da natureza concedem a quem quer se devotar há, com efeito, uma santa tarefa a desempenhar e para qual as boas vontades não serão nunca muito numerosas. Mas, para tal, é preciso uma disposição de espírito, um dom próprio, uma confiança total na Energia Criadora, em Deus e nos Seres do Além que já atingiram o ápice de bondade que torna as almas grandes e generosas.

Seguindo este Guia, todos os leitores compreenderão e aprenderão muitas coisas; eles aprenderão que, se a via na qual se empenha o curador, é difícil, é, apesar de tudo, dispensadora de alegrias profundas e verdadeiras, alegrias da alma e do coração às quais não são comparáveis nenhuma das satisfações humanas, nenhum dos prazeres que podem procurar os nossos sentidos imperfeitos.

É bem certo que esse "estado" do curador - que entrevejo aqui sob o ângulo moral e espiritual - implique muitos deveres e bastantes desprendimentos também. Não é necessário, desde então, vencer em si o "homem velho", o corpo dos desejos, condição absoluta para atingir os próximos cumes da espiritualidade? É uma condição indispensável para quem quiser possuir um poder benfeitor certo e durável, para alívio do fardo de outrem.

Pense em Deus muitas vezes mais do que respiras, dizia Epicteto. Por aí o célebre filósofo estóico mostrava aos seus discípulos a estrada real que leva ao conhecimento, à escalada do Divino pela prece, porque todo o pensamento de compaixão, todo o pensamento de bondade, todo o anelo do ser para Deus, para o Incriado, é uma prece. E a prece é essencial à ação duradoura, só ela determina a descida de forças puras em benefício da desgraça e do sofrimento humanos. E verificou-se que entre os curadores místicos, dignos deste qualificativo pela sua retidão e dignidade de vida, a força espiritual que eles recebem do Alto e espalham ao redor de si aumentada pela prece, é de essência superior e difere totalmente, em natureza e qualidade, do fluido magnético ou humano.

Eis, de resto, resumido por Burnet, que foi, no começo deste século, um curador suíço altamente compenetrado de sua missão, a modalidade de ação dos tratamentos espirituais, tal como a praticou, modalidade que achamos narrada pelo dr. Ed. Bertholet, laureado da Universidade de Lausanne, em sua obra capital: "Uma Curadora Mística Moderna: Eugénie Isaeff-Jolivet, na pág. 37:

"A medicina hermética (tratamentos espirituais) transporta a sua ação para o plano astral, isto é, age sobre a fonte mesma da vida! Em lugar de se ligar a tal parte do ser fisiológico, ela se liga ao corpo astral que alimenta a vida, regula o jogo das funções inconscientes, repara os tecidos e os transforma. As enfermidades são assim atingidas em suas próprias fontes, porque os traços que delas vemos nos órgãos, tratados unicamente pela Medicina Usual, só são manifestações das perturbações correspondentes ao corpo astral.

"O adepto, sendo um centro de força espiritual e fluídica, age diretamente sobre a alma do enfermo e, pelo seu corpo astral, penetra o seu corpo físico. A parte enferma se modifica sob os movimentos ondulatórios da força; as moléculas mais densas, submetidas à ação da corrente espiritual, modificam progressivamente a velocidade das suas vibrações; a harmonia então se estabelece. As vibrações luminosas e reguladoras, que lhe são enviadas pelo curador, que as recebe do Alto, restabelecem as vibrações irregulares das doenças. Uma condição favorável é que, na vida privada, a consciência humana tenha vontade de se abrir ao Princípio Divino, se mostre capaz de receber a vida posta ao seu alcance pelo dom do curador.

Estas linhas revelam o lado esotérico todo-poderoso da mediunidade curadora, justificam a confiança que podem por os aflitos em suas possibilidades e encorajar os que querem consagrar a sua vida a esta nobre causa de seguir para diante.

Mas, já que citamos o dr. Bertholet, creio oportuno dar aqui sua opinião particular autorizada em resposta a certos detratores que, diante de curas notáveis, obtidas em todos os tempos, pelos curadores, sustentam, com um dogmatismo que não devia existir mais nesta época, que a causa de tais "milagres" não deve ser buscada em outro lugar que na sugestão ou auto-sugestão, o que é um erro.

Extraímos das págs. 40/1, da citada obra, o seguinte trecho:

"Em todos esses casos, a explicação de cura pelo fator único da sugestão ou da auto-sugestão é demasiadamente simplista; é preciso deixar esse joguinho à estreita ciência materialista do século passado e agora que, pelos estudos metapsíquicos modernos, redescobrimos as faculdades tão maravilhosas do homem e de seu duplo etérico, tais como já as conheciam os Iniciados dos antigos Templos da Índia e do Egito, deve-se ser um pouco menos incisivo e afirmativo nas explicações demasiadamente materialista dadas, até o presente, pela Ciência, para explicar as curas obtidas pelos místicos".

Assim, a faculdade curadora, verdadeiro benefício para aquele que, tendo-a merecido, a possui e a pratica com humildade e desinteresse, é um estado superior, uma recompensa de todos os instantes. É o que demonstra em suas belas lições, José Lhomme. Também é com um coração fraterno que eu auguro a mais ampla difusão ao seu "Livro do Médium Curador", certo de que esta obra sé pode justificar os fins ao mesmo tempo científicos e consoladores do Espiritismo de Allan Kardec e de Léon Denis, eminentes e probas figuras de uma época que, de nossa parte, não poderíamos nunca esquecer.

Hubert Forestier

Diretor da Revista Espírita, de Paris

Ex-Secretário da União Espírita Francesa

Ex-Vice Presidente da Federação Espírita Internacional

Prefácio da edição brasileira


No momento em que ilustres patrícios e estrangeiros se empenham, inutilmente, com o título de Parapsicólogos, em arrasar os fenômenos espíritas, fenômenos que demonstram cientificamente, na, base dos fatos, a existência do espírito imortal, ligado temporariamente à carne e posteriormente livre, pela desencarnação, na vida do Além, no plano ou planeta a que fizer jus, é com grande satisfação que apresentamos ao nosso público ledor este livro simples e maravilhoso do bom, simpático e competente espírita belga José Lhomme - O Livro do Médium Curador - que nos inicia e nos guia na nobre missão de servir e curar o nosso semelhante, tal como fez Jesus Cristo, o Grande Curador.

Temos acaso a pretensão de segui-lo? Cremos que sim, pois o temos por Guia e Mestre e não disse o próprio Jesus Cristo que viriam outros após ele que fariam maiores prodígios?

Deus fez leis iguais para a humanidade inteira. Se não nos esquecemos das curas do Padre Antônio, de Urucânia, e do Padre Eustáquio, de Poá, do mesmo modo não olvidamos as curas do brasileiro José Arigó, do inglês Harry Edwards, do filipino Tony Agpoa e outros. E acaso não está a História Cristã dos primeiros tempos repletos de curas espirituais?

Bem sabemos que esses Parapsicólogos, no fundo materialistas, seguem erradamente o Dr. J. B. Rhine, o qual sem proceder como o Dr. Charles Richet que buscou fugir à realidade quando vivo, para em carta ao Professor Ernesto Bozzano, pouco antes de falecer, se declarar errado, ainda encontrará o seu Waterloo.

Como São Lucas é o Patrono dos Médicos, vamos, a título de ilustração, extrair do "Evangelho segundo São Lucas", parte integrante da "Palavra Divina", que não pode ser contestada, os seguintes casos de cura:

Cap. 4, vers. 33 - cura de um endemoninhado

Cap. 4, vers. 37 - cura da sogra de Pedro

Cap. 5, vers. 12 - cura de um leproso

Cap. 5, vers. 17 - cura de um paralítico

Cap. 6, vers. 6 - cura de um homem que tinha uma das mãos mirrada

Cap. 8, vers. 26 - cura do endemoninhado gadareno

Cap. 9, vers. 37 - cura de um jovem lunático

Cap. 13, vers. 10 - cura de uma mulher paralítica

Cap. 14, vers. 14 - cura de um hidrópico

Para que eles não nos digam agora que todas foram curas de males físicos, lembramos que os casos das curas narradas nos cap. 4 vers. 33, cap. 8 vens. 26 e cap. 9 vers. 37, foram de curas claramente espíritas, porque Jesus Cristo expulsou "espíritos imundos" de doentes mentais, isto é, espíritos esses que os espíritas chamam de "espíritos obsessores". Se tudo isto não é verdade, a "Palavra Divina", consubstanciada nos Evangelhos, perde o seu atributo de "Divina", para ficarem os seus fatos ao sabor da explicação dos sábios da Parapsicologia.

Já foram tentadas mil hipóteses para explicação dos casos espíritas, mas nenhuma delas os abrangeu integralmente, porque contra fatos provados não há argumentos e sempre ficava muita coisa por explicar.

Que tenham, pelo menos, a coragem de ler as preciosas obras de nosso querido médico patrício Dr. Ignácio Ferreira, de Uberaba, MG, entre as quais os dois volumes admiráveis de "Novos Rumos à Medicina" ou então o grosso volume do médico sueco, naturalizado norte-americano, Dr. Carl A. Wickland, sob o título Thirty years among the dead (Trinta Anos Entre os Mortos), formidável obra de que eu possuo os direitos de tradução em língua portuguesa, já pela metade traduzida.

A ânsia de arrasar os fenômenos espíritas é mesmo tão grande que se chegou a "exumar" e "mudar o nome" da obra de René Sudre, pulverizada em 1926 (note-se bem o ano) pelo Professor Ernesto Bozzano, em sucessivos artigos em La Revue Spirite, de Paris, sob o título de "A Propósito da Introdução à Metapsíquica Humana", que reduzidos a volume, já teve duas ou três edições em nossa língua. E, como se não bastasse, trouxe-se a reboque, editada em 1954, a "Parapsicologia" de Robert Amadou que, com o seu negativismo ou antiespiritismo liquidou com o órgão do Instituto Metapísquico Internacional, com sede em Paris, que teve como seu primeiro Presidente, no período de 1919/1924, o saudoso médico espírita francês Dr. Gustavo Geley, autor de obras notáveis.

O Espiritismo na França, depois do muito que fez o Sr. Pierre Gaetan Leymarie, após o passamento de Kardec, teve o seu Mecenas no Sr. Jean Meyer, que, em 1923, comprou o imóvel situado à Rua Copernic n.° 8 (XVI°), que serviu de sede para a Federação Espírita Internacional, a União Espírita Francesa e os serviços de La Revue Spirite e Les Êditions Jean Meyer, dedicadas exclusivamente à publicação de obras espíritas, e, anos antes, o da Avenida Niel n.° 89 (VII°), também em Paris, o qual serviu para o Instituto Metapsíquico Internacional e o seu órgão La Revue Métapsychique.

La Revue Spirite, fundada em 1858, por Allan Kardec e por ele dirigida até 1869, ano da sua desencarnação, sempre teve verdadeiros espíritas em sua direção, agüentou todas as vicissitudes das duas grandes guerras, e continua, como até hoje, brilhante e serena, sob a competente direção do Sr. Hubert Forestier, agora Cavalheiro da Legião de Honra.

Já o Instituto e o seu órgão La Revue Métapsychique não tiveram a mesma sorte. Com o falecimento de seu 1.° Presidente, o Dr. Gustavo Geley (1919/24), que pereceu num desastre de avião de Varsóvia para Paris, caíram nas mãos do Dr. Eugène Osty, que os dirigiu à moda do Dr. Richet, isto é, sem querer enfrentar a realidade dos fatos, no período de 1925/38, para finalmente cair nas mãos do Dr. René Warcollier, engenheiro-químico, que talvez pela maneira por que conduziu o Instituto, tendo o Sr. Robert Amadou como redator-chefe de La Revue Métapsychique, ocasionou uma derrocada completa, a ponto de ter o Instituto que vender a sua antiga sede social para adquirir outra, modesta, na Praça Wagran n.° 1 (VII°), sendo possivelmente dispensado do cargo de redator-chefe, pela sua afugentadora orientação antiespírita, o Sr. Amadou, como tudo pode ser lido na pág. 4 dos ns. 31/32, de Set/Dez de 1954, de La Revue. Homem ilustre e inteligente o Sr. Amadou, mas defensor de uma causa ingrata.

O mesmo Sr. Warcollier, ao apreciar, no supracitado n.° de La Revue Métapsychique, pág. 164 La Parapsychologie, do Sr. Robert Amadou, Paris, Danoêl, 1954, escreveu o seguinte: Robert Amadou emploie le mot "Parapsychologie" dans le sens de "Métapsychique Expérimentale". C'est certainement une definition incomplète car les recherches avec 1'infra-rouge sont bien expérimentales. D'autre part, la "Parapsychologie" ne couvrirait pas le innombrables faits spontanés qui sont à 1'origine des recherches psychiques: rêves prémonitoires, apparitions, poltergeist, etc.

Isto, em português bem simples, quer dizer o seguinte: "Robert Amadou emprega a palavra "Parapsicologia" no sentido de "Metapsíquica Experimentar". É certamente uma definição incompleta, porque as pesquisas com o infravermelho são bem experimentais. De outra parte, a "Parapsicologia" não cobriria os inúmeros fatos espontâneos que estão na origem das pesquisas psíquicas: sonhos premonitórios, aparições, poltergeist etc.".

Quem não sabe que há sonhos premonitórios tidos com semanas e até meses de antecedência? Quem não sabe, como diz a "Palavra Divina", que o espírito sopra onde e quando quer? E poltergeist, que designa, em alemão, o espírito turbulento ou brincalhão, que se manifesta tanto à noite como de dia claro, virando uma casa quase de "perna para o ar?" E neste singelo "etc." quantos casos estão contidos, O próprio Warcollier, na pág. 163, refere-se a vários deles, positivos e atestados por eminentes personalidades do mundo científico e literário, omitidos por Amadou, em sua obra!!!

E, como grave advertência aos Parapsicólogos religiosos que parecem não pensar bem no que fazem, transcrevemos da pág. 167 ainda as seguintes palavras do Dr. Warcollier: "II lui est facile de démontrer que la Parapsychologie n'est d'aucun intérêt pour le Mystique, qu'elle n'apporte aucun appui à la Religion vraie, que comme toute science, elle côtoie le Bien et le Mal", o que, traduzido, quer dizer: "É fácil demonstrar que a Parapsicologia não é de nenhum interesse para o Místico, que ela não traz nenhum apoio à Religião verdadeira, que, como toda a ciência, costeia o Bem e o Mal". Isto quer dizer que a Parapsicologia é uma arma de dois gumes: com a ânsia de destruir o espírito imortal, que vive temporariamente no corpo humano, acabaria por destruir, se pudesse, os princípios sagrados de nossa Religião Cristã.

Queremos ver um só Rebanho com um só Pastor, mas com a Verdade, e lembramos, de passagem, que o túmulo, no cemitério do Père Lachaise, em Paris, de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, que se chamou realmente Hyppolite Leon Denizard Rivail, é o mais florido e o mais visitado de todos, o que é bem significativo.

Francisco Klors Werneck

Introdução


Esta obra é um guia destinado às pessoas de coração que desejam ardentemente colocar-se a serviço da humanidade para o que há de mais nobre, de mais elevado e de mais belo: o alívio dos sofredores e a cura das enfermidades.

Elas, na maior parte, já estão convencidas, por sua experiência, em matéria psíquica ou espírita, da realidade de um fluido que age sobre os sensitivos.

Muitas vezes assistiram à incorporação mediúnica no curso da qual uma entidade fazia o médium experimentar as dores suportadas por ela nos últimos momentos de sua existência, dores que desapareciam com a descarga elétrica projetada pelo experimentador sobre o médium, às vezes sem ele o saber.

Em outras oportunidades, as manifestações psíquicas da mediunidade faziam-nas presenciar a utilização de uma força que emanava do médium e agia à distância, sem qualquer espécie de contato com os assistentes, com gestos que denunciavam a intervenção de uma inteligência dirigente.

Para essas pessoas um tanto iniciadas na prática do Espiritismo, há em nós e em torno de nós um fluido semimaterial, imponderável, porém real, todavia, que age de um ser a outro, em determinadas condições.

Sua existência é confirmada por uma imensidade de curas obtidas por uma plêiade importante de médiuns curadores.

Para as que duvidam deita última afirmativa, nós lhes pedimos que consultem o nosso opúsculo "O Espiritismo pode curar-nos? Como? Eis as provas!". Elas ali encontrarão uma relação de casos de curas pertencentes não apenas à categoria das neuroses, mas também à não menos importante das afecções orgânicas, e verão igualmente, de um medo sucinto, o emprego das forças de que dispõe a terapêutica psíquica.

Certas da realidade da exteriorização psíquica, as pessoas que aspiram a ser úteis ao próximo, dando-lhes um pouco de sua vitalidade e de seu devotamento, buscam as luzes dos mais velhos que, na maior parte do tempo, lhes expõem o seu sistema pessoal, repelindo, de boa fé, as sugestões ou declarações de seus colegas.

Em tais condições, o novato tem muito trabalho em equilibrar-se no meio de numerosas afirmações senão contraditórias pelo menos diferentes em seus princípios.

Na realidade, todos os métodos são bons em conjunto, mas na maioria são incompletos e inoperantes segundo os próprios enfermos a que se destinam.

É assim que um médium curador dirá que ele cura unicamente pela fé, isto é, que, para ser auxiliado, o doente deve possuir, desde o começo do tratamento, a mais completa confiança em si mesmo e em sua doutrina.

Tal sistema, ainda que excelente, mostra-se logo ineficaz para os doentes céticos. É como se pedisse a um necessitado de um empréstimo de dinheiro que depositasse em um banco uma garantia suficiente.

Responder-se-á que Jesus só curava pela fé, mas se esquece de dizer que o ascendente moral de Jesus sobre o povo era considerável, que a fé citada nos Evangelhos era provocada ou exaltada por fenômenos físicos e intelectuais prodigiosos: a pesca milagrosa, o andar sobre a água, a ressurreição de Lázaro, etc.

De outra parte, não disse Jesus: "Alguém me tocou, porque eu senti que uma força saiu de mim".

Há, portanto, algo mais além da fé. Com efeito, se consultais um curador de uma tendência diferente, ouvi-lo-eis dizer que ele não recorre senão à prece e à imposição da mão sobre a fronte do paciente, forma de magnetismo reduzido à sua mais simples expressão.

Um terceiro, ao contrário, não fará nenhum toque e operará à distância pelo pensamento.

Um outro já agirá por meio de passes magnéticos e água magnetizada.

Enfim, os adeptos da Ciência Cristã só recorrerão ao pensamento coletivo, formando um bloco fluídico importante dirigido sobre o enfermo pelo presidente da reunião.

Como se vê, será bem difícil para um principiante, levando-se em conta a sua incompetência, fazer uma escolha do melhor método.

Durante todo o tempo ele se fiará em uma vaga intuição e trabalhará provavelmente assim a vida inteira com a idéia arraigada de que não se pode fazer melhor.

Na realidade, entretanto, os diferentes métodos, que aqui esboçamos, fazem parte de um método geral que os engloba a todos e ao qual o futuro curador poderá recorrer conforme o seu temperamento físico e as suas aspirações.

Resumindo a questão, a presente obra dispensará o médium curador de fazer a sua documentação, recorrendo ao estudo de numerosos volumes, pois as noções, que aqui se acham reunidas, são suficientes, cremos nós, para fazer-se um bom trabalho.

Possam os nossos leitores utilizar-se bem delas, para maior proveito da humanidade.

1
A necessidade de uma instrução preliminar


Para vencer na vida, não basta apenas ter a vontade de consegui-lo e sim é preciso fornecer a essa vontade os elementos indispensáveis ao bom êxito, isto é, boa saúde e conhecimentos úteis, em vista de obter uma visão bem clara do fim a que se propõe atingir.

Isto serve para o médium curador, cuja missão humanitária exige uma condição suplementar: elevação moral.

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