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Iii encontro da anppas gt 7 Manejo Comunitário de Recursos Naturais 23 a 26 de maio 2006 – Brasília-df


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III Encontro da ANPPAS

GT 7 - Manejo Comunitário de Recursos Naturais

23 a 26 de maio 2006 – Brasília-DF

ORGANIZAÇÃO E SENSIBILIZAÇÃO PARA O MANEJO FLORESTAL COMUNITÁRIO EM ASSENTAMENTO RURAL.

Vânia Beatriz Vasconcelos de Oliveira1; Michelliny Bentes-Gama2; Abadio Hermes Vieira.3 Vanda Gorete de Souza Rodrigues4 Marília Locatelli5 - Embrapa Rondônia6


Resumo
O manejo florestal comunitário é um processo social desenvolvido em um contexto que envolve um grupo de pessoas. Neste artigo apresentamos uma descrição compreensiva das técnicas empregadas no processo de organização e sensibilização de um grupo de produtores rurais, para a implementação do manejo florestal comunitário (MFC), sendo este um dos objetivos do projeto "Organização comunitária em apoio ao manejo florestal em assentamento rural" em execução no assentamento “Nilson Campos” (Jacy –Paraná, Porto Velho-RO), proposta aprovada pelo Projeto de Apoio ao Manejo Florestal Sustentável na Amazônia – ProManejo. Tendo como referência os estudos sobre trabalho com grupos e ações coletivas para o manejo florestal, discute-se o contexto social em que a comunidade se insere, e a proposta metodológica de trabalho em grupo, tendo as Oficinas como espaço comunicacional e o uso de música como ferramenta de base para a discussão e reflexão no grupo. O objetivo é trazer contribuições para a práxis do trabalho com grupos em extensão florestal e para as discussões teóricas sobre a gestão concertada de recursos.
Palavras-chave: organização comunitária, extensão florestal, manejo florestal comunitário.



  1. Introdução

Sensibilizar produtores rurais para a importância do uso racional dos recursos florestais e estimular a formação de grupo interessado na implementação do manejo florestal comunitário (MFC) é um dos objetivos do projeto "Organização comunitária em apoio ao manejo florestal em assentamento rural" uma proposta elaborada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Rondônia e aprovada pelo ProManejo, Projeto de Apoio ao Manejo Florestal Sustentável na Amazônia – ProManejo, criado no âmbito do PPG-7 (Programa Piloto de Proteção das Florestas Tropicais) e executado pelo IBAMA e Ministério do Meio Ambiente. O componente Iniciativas Promissoras do ProManejo, tem por objetivo gerar exemplos práticos de sistemas de manejo florestal, a partir de experiências piloto, que contribuam para o aprendizado dos diversos segmentos envolvidos com a questão florestal.


Uma característica do ProManejo é a execução de ações em parceria com instituições públicas e privadas e com a sociedade civil organizada. Neste contexto, a Embrapa Rondônia, participa deste esforço de geração de exemplos práticos, por meio da execução do projeto de organização comunitária, o qual, desde julho 2005, vem sendo desenvolvido junto a produtores do assentamento Nilson Campos, em Jacy-Paraná, Porto Velho-RO, apoiando-os em seu processo organizativo, buscando assim, viabilizar o manejo florestal comunitário, uma das prioridades definidas no Plano de Desenvolvimento Sustentável do Assentamento (PDSA). (Oliveira et al., 2003).
O manejo florestal comunitário é um processo social desenvolvido em um contexto que envolve um grupo de pessoas. Estudos sobre o processo de implantação de sistema de gestão de recursos naturais, e em especial dos recursos florestais em regime comunitário, apontam a fragilidade das organizações comunitárias como um dos principais entraves a esse processo. (Amaral & Amaral Neto,2000; Smith,2005). Em reflexões sobre um projeto de manejo florestal na Amazônia Oriental, Albaladejo & Veiga (2002) tratam a “construção de saberes e acordos em relação à gestão da natureza”, como uma das bases de uma gestão concertada dos recursos naturais. Portanto, o desafio é buscar formas de fortalecer as organizações, de modo a se estruturarem e criarem condições necessárias para as ações coletivas sustentadas.
Parte-se do pressuposto que o fortalecimento da capacidade organizacional da comunidade para o manejo florestal comunitário se estabelece, em primeira instância, no grupo constituído para esse fim. O objetivo deste trabalho é trazer contribuições para a práxis do trabalho com grupos em extensão florestal e para as discussões teóricas sobre a gestão concertada de recursos. Para isso, inicialmente apresentaremos a concepção metodológica do projeto de organização comunitária; em seguida descreveremos as técnicas e dinâmicas, aplicadas na fase de sensibilização para a participação nos grupos de estudo sobre manejo florestal. E finalmente, tendo como referência os estudos sobre trabalho com grupos e ações coletivas para o manejo florestal, discute-se o contexto social em que a comunidade se insere, e a proposta metodológica de trabalho em grupo, tendo as Oficinas como espaço comunicacional e o uso de música como ferramenta de base para a discussão e reflexão no processo de construção coletiva de conhecimentos.


  1. A proposta metodológica do projeto

A metodologia do projeto de organização comunitária para o manejo florestal baseia-se no desenvolvimento de um programa sócioeducativo, em quatro etapas: sensibilização, capacitação , planejamento e difusão. A concepção é de que:

ao se desenvolver um processo de sensibilização para o uso racional dos recursos florestais, a capacitação e a geração de informações por meio de grupos de estudo, se estará promovendo , de forma participativa, as discussões preliminares sobre o uso múltiplo da floresta, fortalecendo a capacidade organizativa dos assentados para tomar decisões e estabelecer o modelo de manejo florestal comunitário a ser implementado. O Plano de Manejo elaborado e a definição dos atores sociais envolvidos em sua execução , será o produto principal do processo de organização comunitária.” (Oliveira et ali, 2004)


A primeira etapa , tem por objetivo sensibilizar os assentados para a importância do uso racional dos recursos florestais e estimular a formação de grupo interessado na implementação do manejo florestal comunitário. As dinâmicas para a sensibilização , assim como para a capacitação, são realizadas em formas de Oficinas como um espaço comunicacional, no qual se exercita , o “diálogo dos saberes” (Freire, 1977), a construção coletiva de conhecimento, envolvendo o saber local e o saber técnico e a resolução dos conflitos. Na segunda etapa, se trabalha com o grupo constituído na etapa de sensibilização, com uma proposta de grupo de estudos, envolvendo produtores e técnicos. Deste modo , a discussão sobre o manejo florestal comunitário é conduzida como um “tema gerador” , em uma unidade de educação agroambiental (UEA) , um fórum de debate comunitário, que visa construir , em conjunto, o conhecimento necessário para compreender a situação e tentar buscar uma resolução de apoio coletivo (Hammes, 2002).
No grupo se desenvolve , além de reuniões de estudo, atividades de capacitação (cursos e visitas técnicas) preparatórias à etapa 3- planejamento da modalidade de manejo a ser implementada, de modo a conciliar os objetivos de conservação e desenvolvimento sustentável com os objetivos dos comunitários. A etapa 4, Difusão, na prática perpassa todas as etapas anteriores , como espaço de produção , organização e disseminação de informações por meio de eventos, publicações e divulgação na mídia impressa e eletrônica, viabilizando o acesso à informação a outros grupos interessados em empreender iniciativas de manejo florestal comunitário.


  1. Dinâmicas de sensibilização para o manejo florestal comunitário

A etapa de sensibilização foi desenvolvida no período de julho a setembro de 2005. Cabe ressaltar que a proposta de manejo florestal comunitário, conforme já mencionado, surgiu em trabalho anterior com a comunidade, quando da elaboração do PDSA do assentamento. Portanto, não se fez necessário uma abordagem inicial para inserção na comunidade. Foram realizadas três “Oficinas Educativas de Sensibilização”. Esta etapa culminou com a constituição de um Grupo Comunitário de Estudo (GCE) , formado por 12 comunitários e seis técnicos, dentre pesquisadores da Embrapa Rondônia e técnicos de instituições parceiras.

A utilização de música popular brasileira, tem sido uma das ferramentas empregadas como base para a discussão e reflexão sobre a gestão e uso dos recursos florestais. A técnica consiste na seleção de uma canção, preferencialmente de artista regional , ou local, cuja letra aborde questões relacionadas ao tema em discussão no evento. Inicialmente planejada com a utilização de recursos tecnológicos de apresentação do tipo Power point (pps) e utilização de imagens colhidas no assentamento, a técnica teve que ser adaptada para o tradicional sistema de álbum seriado, uma vez que dificuldades relacionadas a infraestrurtura dos locais de realização dos eventos na comunidade, energia elétrica principalmente, limitaram o uso de recursos tecnológicos. (Figura 1).





Figura1.Uso de álbum seriado com a letra de música em oficina de sensibilização.
Na primeira Oficina , em 08 de julho de 2005, com 21 participantes, o tema foi o nivelamento conceitual de manejo florestal comunitário. Para trabalhar a sensibilização quanto a urgência em se reformular o modelo predador de exploração florestal, se utilizou a música “Saga da Amazônia” a qual permitiu também a discussão dos conflitos quanto a identificação dos “dragões” do desmatamento:

... Toda mata tem caipora para a mata vigiar



Veio caipora de fora para a mata definhar

E trouxe DRAGÃO-DE-FERRO, prá comer muita madeira

E trouxe em estilo gigante, prá acabar com a capoeira...”

(Xangai - Cantoria 2, 1994)
A segunda oficina de sensibilização, com 30 participantes, foi realizada em conjunto com um Encontro sobre Manejo Florestal Comunitário (26 a 28 de julho 2005). Este evento foi importantíssimo no processo de sensibilização , uma vez que reuniu técnicos e produtores com experiências diversas, com o manejo florestal comunitário , e com características distintas, de acordo com a comunidade e a instituição promotora, seja de pesquisa como a Embrapa do Acre, que orienta trabalho de manejo no assentamento Pedro Peixoto , seja organização comunitária como a Associação de Produtores de Ouro Preto – APA, que atua no assentamento Margarida Alves , no município de Nova União.
Nesta oficina , se trabalhou a aplicação de uma metodologia de cenários futuros, como instrumento para o manejo florestal ( Nemarundwe et al, 2003), a qual que se constitui numa ferramenta de planejamento local/regional, em que se trabalha imagens alternativas de futuro, focando na análise da natureza dos impactos mais relevantes sobre determinada atividade, no caso o manejo florestal comunitário (MFC).
Como motivação para as reflexões que seriam feitas no evento, na abertura do Encontro sobre Manejo Florestal Comunitário, foi utilizada a música "Pérola Azulada", de autoria de músico da região Norte (Zé Miguel – Acústico 2001), a qual faz uma elegia ao planeta Terra e conclama ao respeito à natureza. Já no encerramento do Encontro se utilizou novamente a música “Saga da Amazônia” (Xangai - Cantoria 2, 1994) , desta vez utilizando os recursos de apresentação, uma vez que o evento foi realizado na sede da Embrapa , em Porto Velho.
Na terceira oficina, realizada no assentamento, em 28 de setembro, com 22 participantes, se trabalhou o conhecimento da comunidade sobre as espécies florestais existentes . Para isso foi aplicada uma dinâmica , na qual os participantes foram convidados a se apresentar dizendo a seguinte frase: “ meu nome é (dizer seu nome) , mas podem me chamar de (nome de uma árvore)”. Além dos 22 participantes adultos , essa dinâmica contou com a participação de 13 crianças em idade escolar, e resultou numa rica discussão sobre o conhecimento da ocorrência das espécies citadas , uma vez que no processamento, os participantes foram instados a escalonar as árvores de maior ocorrência e aquelas consideradas extintas.

Outra abordagem desta 3a. oficina foi o nivelamento conceitual de organização comunitária e se aplicou dinâmica de reflexão sobre a Participação e sua importância do processo de MFC; e os papéis dos membros do grupo, utilizando-se a música “Todos Juntos”, do musical “Os Saltimbancos” (Badotti – Chico Buarque de Holanda). No processamento da técnica , os participantes foram motivados, a exemplos das características dos animais evidenciadas na letra da música, a identificar a sua característica mais forte , que estaria sendo colocada em prol do trabalho em grupo.

... Esperteza, Paciência
Lealdade, Teimosia
E mais dia menos dia
A lei da selva vai mudar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer...”


(Badotti – Chico Buarque de Holanda).


  1. O trabalho com grupos e a construção coletiva de conhecimentos

No que diz respeito ao trabalho com grupos para o manejo florestal comunitário na região amazônica, os estudos comparativos de Benatti et al. (2003), apontam para o fracasso das experiências que simplesmente adaptaram o modelo empresarial de manejo florestal. Além disso, os autores ressaltam o alto grau de complexidade tecnológica e administrativa, dos projetos, em geral coordenados por engenheiros florestais. O contraponto das experiências de fracasso, é um projeto, coordenado por um sociólogo e especialista em capacitação de grupos comunitários, ficando o componente de manejo florestal sob a responsabilidade de um especialista na área, considerado mais apropriado para as comunidades de pequenos produtores.



Esta análise, corrobora a orientação que motivou o ProManejo a lançar um edital para trabalhar a organização comunitária, como atividade inicial de implantação de um projeto de manejo florestal comunitário. O desafio é portanto estabelecer metodologias que dêem conta dessa tarefa. Segundo Molina (1988) , para motivar , organizar e manter grupos com os quais se possa desenvolver um processo educativo é necessário que se levem em conta as condições individuais e sociais para a motivação e envolvimento dos membros naquele grupo específico.
A proposta metodológica de estudo em grupo, que orienta o trabalho em execução no assentamento Nilson Campos, se configura como um processo educativo de extensão florestal, no qual o profissional da área de ciências sociais, na função de extensionista florestal e no papel de animador e facilitador do grupo, organiza o grupo, preparando-o, para uma ação conjunta, no caso a elaboração de um plano de manejo florestal comunitário. Cabe ressaltar que ao pensarmos o grupo, ele é constituído não só pelos produtores florestais, mas também por agentes externos ao assentamento (os especialistas do manejo florestal, e técnicos da extensão rural), para que se exercite a relação dialógica na construção de saberes.
Embora a demanda por manejo florestal tenha se originado , num processo de planejamento participativo, a premissa que orientou as atividades iniciais com os assentados, foi a de que eles não conheciam o objetivo do grupo, isto é : o que é manejo florestal, suas vantagens econômicas, sociais e ambientais. Daí a ênfase no conhecimento de sua realidade local e de experiências de outras comunidades de assentados.
Promover o manejo florestal em comunidades exige inicialmente conhecer o seu contexto social, afirma ( Smith op. cit. ), para quem “o manejo florestal comunitário é um processo social que implica um grupo de pessoas, e se realiza dentro de um contexto social. Na análise do contexto social interno do assentamento Nilson Campos, verifica-se que , desde a finalização do plano de desenvolvimento do assentamento (PDSA) ao início do projeto de organização comunitária , decorreu um período de aproximadamente três anos. Neste período , um grupo de 11 assentados, sob a orientação da liderança local, se mobilizou para a elaboração de um Plano de Manejo, o qual foi feito por uma empresa de consultoria particular, financiado por uma empresa madeireira, com uma negociação sobre rendimentos financeiros não muito clara, mas aparentemente desfavorável aos assentados, conforme ficou patente nas discussões iniciais com os participantes das oficinas.
No contexto social externo , havia uma pendência em relação a esse mesmo Plano , que fora alvo de embargo judicial, através do Ministério Público, porque estaria localizado o entrono de uma área de preservação florestal. Nesta situação de conflito , ficou evidente a falta de clareza nas informações que os assentados dispunham . A solução de consenso , foi que o grupo , ao mesmo tempo em que avançasse na proposta de organização comunitária, buscasse entender e, se fosse o caso, corrigir as possíveis falhas na elaboração do Plano que levaram ao seu embargo judicial.
Outra estratégia que orienta o trabalho com o grupo é a realização de oficinas participativas, como espaço para promover o diálogo e a concertação entre os atores sociais participantes do processo de gestão concertada de recursos. Trata-se de uma proposta inovadora de abordagem interdisciplinar e interinstitucional da gestão dos recursos naturais, utilizando-se metodologias e técnicas que articulam componentes de comunicação e educação para a gestão ambiental, planejamento participativo e construção coletiva do conhecimento. Parte-se do pressuposto que a implementação da gestão ambiental, entendida essencialmente como um processo de mediação de conflitos de interesses (Layrargues, 2002), demanda um espaço comunicacional que legitime a participação dos atores sociais envolvidos no processo de gestão participativa e valorize os saberes tradicionais.
Na etapa de sensibilização, os conflitos de interesses que se evidenciaram , dizem respeito não somente ao desconhecimento da essência do objetivo do grupo, por parte dos assentados, mas também a dificuldade dos pesquisadores e técnicos , por força de sua formação acadêmica, assimilar a proposta dialógica. Dificuldade observada na sistematização dos resultados de uma reunião, e no anseio em desenvolver atividades práticas , tais como inventário de área , e técnicas em preparação ao manejo propriamente dito.
Por outro lado, a contribuição para o aclaramento do objetivo do grupo ficou evidente , quando ao final da etapa de sensibilização, se avaliou o avanço na compreensão do objetivo do grupo. No primeiro evento, havia um nítido descrédito com a proposta , por considerarem que não havia mais floresta , isto é , na visão dos assentados não haveria mais a chamada “ madeira nobre“, de alto valor de mercado. O processo dialógico, permitiu compartilhar conhecimentos sobre a realidade local, a compreensão da realidade de mercado atual, conhecer as novas tendências e ainda confrontar o conhecimento do grupo , com as informações registradas no inventário elaborado pela empresa consultora.
Observou-se também nessa fase , o fortalecimento do grupo, quando a partir das informações obtidas nos eventos, os assentados, trazem para o grupo proposições livres da influência da liderança local e dos próprios técnicos membros do grupo. Exemplo disso é a proposição de mudar o local inicialmente previsto para a visita técnica, que na concepção inicial do projeto seria num assentamento no Estado do Acre. Após o conhecimento da experiência do assentamento Margarida Alves , em Ouro Preto do Oeste propuseram a mudança, por considerarem que a realidade deste é mais próxima da deles, e que o modelo de manejo em implantação insere a mulher no processo produtivo.
O uso da música na reflexão , se deu na programação dos eventos. Na avaliação da técnica, os produtores reconhecem a validade do emprego da música, para facilitar a reflexão e a aprendizagem sobre os assuntos tratados no Grupo. A escolha das canções, para etapa de sensibilização, tiveram o propósito maior de alerta quanto aos impactos negativos da exploração florestal, ficando para a segunda etapa o uso de músicas que proporcionem a geração e sistematização de informações sobre a biodiversidade local, a dinâmica da extração de madeira no assentamento, a potencialidade e uso local de produtos florestais não madeireiros.
O processamento da dinâmica com a música “Todos Juntos” , possibilitou estabelecer com os assentados formas de convivência na realização dos trabalhos; bem como identificar as características potenciais do grupo a ser constituído, um grupo em que a maioria se identifica como uma pessoa “teimosa’. Essa característica foi discutida no grupo, chegando-se ao consenso de que ela significaria “persistência “ na continuidade do projeto.
Conclusão

O manejo florestal como um processo social que envolve um grupo de pessoas , se situa no escopo das discussões sobre as formas de organização social , a interação dos atores envolvidos neste processo, e requer o desenvolvimento de metodologias participativas que dêem conta do processo de aprendizado , que se configura a troca de informações e a construção de conhecimentos, entre técnicos e produtores.

Tendo como referência os estudos sobre trabalho com grupos e ações coletivas, discutimos o contexto social em que se insere o grupo, as oficinas como espaço comunicacional e o uso de música como base para a discussão e reflexão no processo de construção coletiva de conhecimentos.

Apresentamos a abordagem metodológica de estudo em grupo, como um processo educativo de extensão florestal, propulsor da discussão da proposta de organização para a elaboração do plano de manejo florestal comunitário em assentamento rural, enfatizando as técnicas empregadas no processo de sensibilização. Para isso, se trabalhou o fortalecimento do grupo, por meio do aporte de informações sobre o objetivo do grupo e motivação para o desenvolvimento de suas potencialidades. Embora não tenhamos nos aprofundado nas abordagens teóricas, a título de conclusão, retomamos a questão da “construção de saberes” que Albaladejo & Veiga (2002) tratam como uma das bases de uma “gestão concertada de recursos”.


Se considerarmos as informações coletadas nas oficinas , como espaço de diálogo entre técnicos e produtores, e as técnicas de comunicação utilizadas, concluímos que a abordagem metodológica em construção se configura como uma possibilidade de fortalecimento da capacidade organizacional do grupo para o manejo florestal comunitário. Tratamos de uma primeira etapa da proposta metodológica e a expectativa é de que o fortalecimento do grupo conduza a uma inserção mais dialogada na etapa de planejamento participativo, quando os participantes do grupo terão que se defrontar com a complexidade tecnológica e administrativa que caracteriza um plano de manejo florestal comunitário.

Referências
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1 Comunicóloga (UFPa.1982); Mestre em Extensão Rural (UFViçosa, 2000). vania@cpafro.embrapa.br

2 Enga. Florestal (UFRA, 1996), Mestre em Manejo Ambiental (UFLA, 2000), Doutora em Ciência Florestal (UFV, 2003), mbgama@cpafro.embrapa.br

3 Eng. Florestal ( M.Sc. abadio@cpafro.embrapa.br

4 Enga..agrônoma, M.Sc. vanda@cpafro.embrapa.br

5 Enga. Florestal. Ph.D. marilia@cpafro.embrapa.br

6 Embrapa Rondônia - Caixa Postal, 406, Porto Velho-RO. 78.900-970.


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