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Gêneros jornalísticos digitais Um estudo das práticas discursivas no ambiente digital 1


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Gêneros jornalísticos digitais

Um estudo das práticas discursivas no ambiente digital 1

Lia Seixas

liaseixas@uol.com.br

Objetivos do artigo

Este artigo sugere caminhos para a construção de um referencial teórico que seja capaz de definir os gêneros jornalísticos digitais. O objetivo é analisar as dimensões chamadas interdiscursivas (ou condições de êxito), que envolvem os produtos jornalísticos digitais, através da Análise do Discurso (a princípio, trazemos Maingueneau) em relação às características imanentes às mídias digitais (Manovich, Echevérria, Fidler, Palácios e Nora Paul e Christina Fiebich – na pesquisa Digital Storytelling). A idéia, então, é, primeiramente, contrapor e analisar as características da mídia digital, como no ‘Quadro de propriedades da mídia’ e, depois relacioná-las com condições de êxito, às quais estão submetidos os ‘atos de linguagem’: finalidade reconhecida; estatuto de parceiros legítimos; o lugar e o momento legítimos; suporte material; organização textual (Maingeneau, 1998)2; e, no mesmo nível, o tempo (mais interessante do que falar de momento e onde incluo contexto) relacionado ao estatuto, à noção de papéis (ativos/inativos, autoria) e o conceito de contrato de leitura3 (Verón, 1983).


Introdução

Desde 1850, a idéia de divisão dos produtos jornalísticos por gêneros começou a ser problematizada. As teorias classificatórias de gêneros jornalísticos, desenvolvidas desde o final dos anos 50, têm sido, até os dias atuais (mais de meio século), objeto de debate constante. São consideradas incorretas ou, até mesmo, inválidas pela academia, embora, em grande medida, sejam utilizadas na prática pedagógica, além de estarem em sintonia com os formatos impressos pelo mercado jornalístico. A principal crítica, hoje, é que não acomoda a grande variedade produzida pela evolução da atividade jornalística, da qual surgem gêneros ‘mistos’, influenciados pelas novas mídias (digitais).

Outra crítica é que os critérios de fundamentação destas teorias e classificações são frágeis suportes e não atingem os pilares destas estruturas que são os gêneros, embora aponte, aqui e ali, alguns nortes. Disposição psicológica do autor ou intencionalidade, estilo, modos de escrita ou morfologia, natureza do tema ou topicalidade (conteúdo), objetividade/subjetividade não diagnosticam as especificidades destas práticas sociais discursivas; embora as finalidades ou funções dos textos se aproximem mais de fundamentos válidos, como são as condições de êxito.

Já que a intenção é definir critérios de análise dos gêneros discursivos estabelecidos na prática jornalística, propomos comparações com diferentes tipos de produção jornalística, realizados no suporte (e ambiente) digital. Nosso objeto, a princípio, deve ser constituído de um web site jornalístico (como, Le Monde, New York Times, JBonline), os principais canais de um portal jornalístico (como, por exemplo, UOL ou Estadao), uma agência de notícias (como a CNN, Reuters ou AFP) e um tipo de produção de fonte aberta (como CMI-Brasil). O período de análise pode circunscrever acontecimentos mundiais, naturalmente tratados pelos diversos tipos de produção, cuja atividade é jornalística (ver “metodologia”).


Teorias de gêneros: principais correntes

A definição de gêneros, enquanto grupos de textos, vem desde a Grécia Antiga. Platão propôs uma classificação baseada nas relações entre literatura e realidade: mimético, expositivo e misto. A teoria dos gêneros surge para a literatura. Neste campo, os gêneros sempre estiveram presentes, seja como agrupamento de obras determinado por convenções estéticas, seja como elemento normatizador das relações entre autor, obra e leitor, elemento de constituição de um imaginário comum, elemento de composição de uma obra ou como ‘estratégia de comunicabilidade’ (Borelli: 1995: 71-85), ou como tipos relativamente estáveis de enunciados (Bakhtin: 1992: 279).

No jornalismo, a produção teórica em gêneros se desenvolve a partir de 1951. No começo de 1959, surge uma disciplina chamada “Os gêneros jornalísticos” na Universidade de Navarra, um dos primeiros centros de investigação ocidentais a trabalhar essa teoria. O encarregado da matéria foi, nos primeiros anos, o professor Martínez Albertos4, que se torna uma das maiores referências da área. Em 1968, quando as discussões tomavam corpo, surgem propostas de gêneros informativos, explicativos, opinativos e diversionais. Nesse mesmo período, o pesquisador catalão Hector Borrat sugere a divisão em textos narrativos, descritivos e argumentativos, trabalhada também por Martínez Albertos (desde 1974). No final da década de 70, Gonçalo Martin Vivaldi, também pioneiro nesta discussão, adianta as dificuldades de se delinear campos e precisar gêneros. Os estudos de gêneros jornalísticos desenvolvem tradição na Espanha.

No Brasil, estas análises surgem pelas mãos do professor Luiz Beltrão, relido, quase 15 anos depois, por José Marques de Melo5, referência bibliográfica básica em diversos programas de graduação do país6. Desde a década de 50, o jornalista e professor Luiz Beltrão milita em favor da atividade jornalística enquanto campo social e científico7. O seu livro Iniciação a Filosofia do Jornalismo, do final da década de 50, escrito para o concurso do Diário de Notícias, foi premiado e teve tiragem record de 5 mil exemplares (Beltrão: 1980: 10). Em 1980, Beltrão elabora a primeira classificação do chamado jornalismo opinativo, momento em que cria sua definição de ‘opinião’. O primeiro doutor em Comunicação Social no Brasil8 divide o editorial por morfologia, topicalidade, conteúdo, natureza e estilo; a crônica quanto à natureza do tema e tratamento dado ao tema; e define charge9. Ainda hoje, seus trabalhos “Jornalismo Opinativo”, “Jornalismo Interpretativo: ideologia e técnica” e “Iniciação à Filosofia do Jornalismo” mostram influência nas classificações de gêneros jornalísticos. Um pesquisa avançada do nome “Luiz Beltrão” somado à palavra “jornalismo opinativo” para páginas publicada apenas no último ano (www.google.com.br), gera referências de pesquisadores da Universidade Beira do Interior, Metodista, da Eca-USP, da Unesp, Universidade Federal do Maranhão, dentre outras.

Sejam as espanholas, sejam as brasileiras, as classificações destes dois séculos, feitas por pesquisadores de jornalismo, devem ainda uma explicação geral dos princípios dos gêneros, um conceito de gênero jornalístico e como se constitui.
“Muito embora haja trabalhos sobre diversos gêneros do jornalismo (Vasconcelos e Cantiero, 1999), do jornal (van Dijk, 1990, Guimarães, 1992) e mesmo sobre componentes do texto de jornal (Lonardoni, 1999), tradicionalmente, quando há referência à categoria gêneros jornalísticos, cita-se uns poucos membros mais característicos, tais como a notícia, a reportagem e o editorial. Há uma carência de trabalhos que tratem o todo, de modo que fenômenos de textualização como as seções e as páginas de jornal permanecem praticamente uma incógnita quanto ao tratamento genérico que devamos dar-lhes, pois se, por um lado, apresentam certos comportamentos relativos à noção de gênero que detemos no momento, por outro, se distanciam bastantes dos padrões próprios de membros como notícia e reportagem.” (Bonini, 2001)
As propostas de Martínez Albertos (1991), Luiz Beltrão (1980) e de José Marques de Melo (1985), citado por todos os pesquisadores da área no Brasil, estão fundamentadas em critérios como: 1) finalidade do texto ou disposição psicológica do autor, ou ainda intencionalidade; 2) estilo; 3) modos de escrita, ou morfologia, ou natureza estrutural; 4) natureza do tema e topicalidade; e 5) articulações interculturais (cultura).

A maioria dos autores que trabalhou na classificação de gêneros jornalísticos esteve baseada na separação entre forma e conteúdo, o que gerou a divisão por temas, pela relação do texto com a realidade (opinião e informação) e deu vazão ao critério de intencionalidade do autor, que realiza uma função (opinar, informar, interpretar, entreter). A função, ao invés de ser vista como ‘intenção’ do autor, deve ser trabalhada como cumprimento dos poderes, papéis e estatuto implicado no contrato de leitura de determinada prática social discursiva (gênero).

Além da finalidade, estilo, estrutura (forma) e conteúdo, as tradicionais classificações (Albertos, Beltrão) procuram estar sincronizadas com a geografia, com o contexto econômico, social, político e cultural, com os modos de produção, com as correntes de pensamento e ainda com as noções de objetividade e neutralidade. A finalidade, estrutura (organização textual), o contexto, os modos de produção (modos do discurso) apontam para direções corretas, mas são tratados superficialmente, não desenvolvidos enquanto critérios.
“Para Marcuschi (1996), “o desafio não está tanto na classificação e sim na proposição de critérios dessa classificação”. Em seu trabalho, busca classificar os gêneros que vão da modalidade oral à escrita, para desvendar os processos que permeiam esta passagem. A classificação, então, via comparação dos gêneros, tem um objetivo inequívoco de discernir estas modalidades, levantando critérios que as diferenciam e as aproximam.(...)” (Bonini, 2001)
O interessante é que estes elementos não satisfazem aos pares, que se vêem impulsionados a novas divisões ainda hoje. Em texto produzido para o site Sala de Prensa, o professor boliviano Raul Peñaranda U. elenca 13 classificações por autores: Maria Julia Sierra, John Honhenberg, Martin Vivaldi, Jose Luis Martínez Albertos, Armando de Miguel, Esteban Moran, Johnson y Harris, Siegfrid Mandel, Luiz Beltrão, Jose Benitez, Juan Gargurevich, Marques de Melo, Erick Torrico e John Muller10. No final deste artigo, Peñaranda também não resiste em fechar uma classificação, a mesma: gêneros informativos, opinativos, interpretativos e de “entretenimento” (aspas do autor). E, novamente, não aprofunda a compreensão de critérios.

A jornalista e pesquisadora da Universidade de Santiago de Compostela, Sonia Parratt, analisa quatro linhas teóricas representativas dos estudos dos gêneros jornalísticos: a teoria dos esquemas do discurso - representada por Teun A. Van Dijk – que divide o discurso em dois grupos: os de esquema narrativo e os de esquema argumentativo; a teoria normativa dos gêneros jornalísticos – desenvolvida por Martínez Albertos (1974) – distingue três macrogêneros: informativos, interpretativos e de opinião; a teoria do sistema de texto – formulada por Héctor Borrat (1981) – similar à tradição espanhola, que divide os textos em narrativos, descritivos e argumentativos; a teoria dos gêneros – sugerida por Lorenço Gomis em 1989 – cuja classificação separa em: informação e comentário. Destas, o único autor que trás ao final do texto, quando apresenta novas propostas de classificação (sugeridas por Josep Mª Casasús e Luis Nuñez Ladevéze, por José Francisco Sánchez e Fernando López Pan) é Lorenço Gomis, que re-lê Sánchez e López Pan 11.

Casasús e Ladevéze abandonam os critérios de objetividade/subjetividade, intencionalidade/não intencionalidade, estilísticos e centram-se na função que cumprem os textos: 1) se transmitem a realidade segundo condições válidas estabelecidas pela comunidade profissional e pelas audiências (atualidade do texto); 2) se proporcionam um ponto de vista pessoal ou institucional; e 3) especificidades de destinatários e autores12. Uma perspectiva que centra na finalidade reconhecida e no estatuto de parceiros legítimos. São dimensões exteriores ao discurso diretamente influenciadas pelo ambiente onde se realiza, pelo contrato de leitura que se propõe aos ‘leitores’, além do horizonte de expectativas, com o qual operam estes ‘leitores’.

Nesse sentido, as propriedades da mídia (suporte) onde surgem e se estabilizam determinados gêneros são categorias imprescindíveis para sua compreensão:

“A cultura tecnológica definida pelo circuito integrado de sistemas de escritas oferece uma outra perspectiva para a reflexão sobre os gêneros. Trata-se de considerar a organização das mensagens como organização de diferentes mídias. Como afirmamos anteriormente, a diferença entre as mídias é, igualmente, uma diferença de gênero. Isso é o que está por trás de algumas das teorias sobre a modernidade cultural. O gênero já não é uma categoria importante por oferecer uma tipologia da produção literária da cultura letrada, mas sim porque organiza as mensagens de modo a garantir um “horizonte de expectativa” que una a leitura à escritura, o leitor ao texto, o texto à mídia, a mídia à ferramenta, a ferramenta ao programa. O gênero torna-se instrumento criador da relação interativa entre texto, leitor, cultura.(...)” (Machado, 2002)

Os gêneros são práticas sociais instituídas historicamente, cujas mudanças sociais aparecem com novas formas de produção, de linguagem, novos ambientes, novos suportes, em última instância, envoltas e fundadas em novas “formas culturais” (Lev Manovich, 2001).

“(...) Genre, in this view, is neither na ideal type nor a traditional order nor a set of technical rules. It is in the practical and variable combination and even fusion of what are, in abstration, differente levels of the social material process that what we have Known as genre becomes a new kind of constitutive evidence” (Williams: 1977: 185)

Se um gênero de discurso é resultado de determinadas práticas sociais, a evolução (mudança) de práticas sociais implica necessariamente uma transformação nos gêneros e o surgimento de outros. Um suporte, por suas características intrínsecas, figura-se como ambiente propício ao desenvolvimento de determinadas práticas. O suporte (digital, aqui) deve ser analisado como ‘meio tecnológico’, onde se configuram certas formas culturais, certas gramáticas discursivas. Neste meio, adota-se determinados vínculos com o seu público (contrato de leitura).


Propriedades da mídia digital

Uma comparação das propriedades da mídia, trabalhadas por Manovich, Echevérria, Fidler, Palácios e Nora Paul e Christina Fiebich na pesquisa Digital Storytelling (University of Minnesota), e entre elas e as condições de êxito às quais estão submetidos os ‘atos de linguagem’, pode ser um primeiro passo para a identificação de critérios de gêneros jornalísticos digitais. Um “quadro de propriedades da mídia”, como sugerido abaixo, põe em relação características intrínsecas a este ambiente.



Quadro de propriedades da mídia

Lev Manovich

J. Echeverría

M. Palácios

Nora Paul e Christina Fiebich

Roger Fidler

(mediamorphosis)



Representação numérica

  • Função matemática

  • Programável

Informacionalidade

Digital










Modularidade

(combinação)



Mobilidade

(espaço de fluxos)



Circulação rápida

Globalidade (produção)


Multimidialidade/Converência


Media

  • Tipo

  • Fluxo

  • Configuração

Convergência


(produção e distribuição)

Automação

(templates/algorítimos)














Variabilidade

  • Estoque

  • Várias interfaces para um dado

  • Customização

  • Multimidialidade

  • Atualização

  • Escalas

Instabilidade

Memória artificial e externa

Personalização/customização

Multimidialidade

Memória

Atualização contínua

Relação

  • Linearridade

  • Customização

  • Circulação

  • Manipulação

  • Adição




Transcodificação

(formas culturais)



Representação

Bisensorialidade (predominância do visual)







Complexidade




Distancialidade

Representação



Interatividade


Ação

  • Conteúdo

  • Movimento do usuário

Comunicação

  • Mão única

  • Mão dupla (configuração, tipo, propósito, fluxo, moderação)

Espaço (em Media)
















Coevolução




Reticularidade (acesso a um nó da rede)


Hipertextualidade

Contexto


  • Isolado

Linkado







Compressão do tempo




Tempo (em Media)







Articularidade










A primeira propriedade é a representação numérica (Fidler), que representa a primazia, de que fala Echeverría, do digital neste novo ambiente, embora, no nível material, dependa da energia e dos fluxos energéticos de informação (informacionalidade). O código digital implica duas conseqüências básicas: 1) um objeto da nova mídia pode ser descrito matematicamente, manipulado e alterado mediante ações artificiais, expressas por meio de algoritmos matemáticos; e 2) a mídia torna-se programável.

A programação permite um sistema de busca adequado não só para a consulta, mas também para os jornalistas no ambiente de produção ou refreshs programados, que vão desde imagens randômicas até mudanças de conteúdo a cada período definido matematicamente, principalmente, das chamadas hard news (últimas notícias ou plantão de notícias). Poder programar, dá ao jornalismo, campo de produção constante, intenso e rápido, a possibilidade de criar, por exemplo, sites, textos, objetos que entrem no ar apenas no momento que se deseja. É o fato de ser programável que torna possível se criar sistemas abertos ou redes, como o Centro de Mídia Independente – Brasil (www.midiaindependente.org), que disponibiliza textos, vídeos, sons e/ou imagens de qualquer ‘voluntário’ com acesso a computador em qualquer lugar do mundo (reticularidade, Echeverría). O que for enviado vai para a ‘coluna da direita’. Uma espécie de formulário da seção ‘Publique’ pede a quantidade de arquivos multimídia que se vai enviar, língua, título, sumário, informação para contato (campo opcional), o artigo, o título dos arquivos e traz o botão ‘publique’. O CMI, cuja proposta é de ser uma alternativa à mídia empresarial, tem na formação da rede a sua possibilidade de existência.

No CMI, ainda não vemos instituídas práticas discursivas, mas se pode perceber usos diversos das diferentes linguagens. Em recente manifestação de estudantes do Rio de Janeiro, o objeto que contava, cronologicamente, ações deste protesto era a foto legendada. Um recurso que também pode ser produzido num meio impresso, mas não o pode por algum voluntário ou participante, por causa, principalmente, da forma de produção associada à propriedade digital. O estatuto do participante que poderia ser passivo, passa a ser ativo e, mais ainda, de autor. A organização textual se configura pelo que foi possível produzir e publicar.

Ao personalizar – opção que se dá ao usuário de configurar os produtos jornalísticos de acordo com seus interesses individuais (Palácios) –, o usuário está utilizando a programação. A personalização pode ser feita através apenas da escolha de assuntos, de sua hierarquização (como o Crayon: www.crayon.net) ou da programação visual para a máquina do usuário (como o site da CNN: www.cnn.com). Esta tecnologia permite, portanto, que o veículo informativo conheça as necessidades de cada um dos leitores e, de forma automática, direcione produtos que lhes interessem. A partir de um grupo de leitores, com certa demanda, pode sugerir um tipo gênero, impossível de existir, por exemplo, na mídia impressa.

Na news letter, o veículo programa o envio de resumo de notícias atualizadas toda manhã (tempo determinado) para o e-mail do usuário, que assim escolheu. Entretanto, a news letter não deixa de ser um pacote de notícias, ou seja, essa propriedade da mídia digital, neste caso, não muda a prática, não gera um novo gênero. Quem mais entende de ‘pacotes’ do que as agências? A Agência Estado (www.estadao.com.br), que fornece, dentro do seu serviço Mídia Cast, fotos do dia, fotos internacionais, infográficos e banco de imagens de 1950 a 2003, pode incluir nos seus kits produtos com vídeos (imagens em movimento), cujo texto, simultaneamente ao correr das imagens, desça na tela do computador em uma ou mais línguas, a depender do veículo jornalístico que demande a compra. Uma imagem em movimento pode vir a ser estatizada com um clique ou um apresentador pode estar na tela, não com sua imagem parada ou voz em off, mas indicando, mostrando, explicando imagem e texto que podem se movimentar, aparecer ou desaparecer com os comandos deste apresentador ou pelo clique do mouse. São vislumbramentos, mas que indicam possibilidades de ‘organização textual’ a partir de contrato (estatuto), finalidade e características do suporte.

A organização textual ganha, com a convergência/multimidialidade - diversas tecnologias e formas de mídia convergem para um mesmo lugar, um mesmo meio (multimídia), o que implica a convergência das indústrias e empresas, com uma mudança estrutural do modo de produção e distribuição (Fidler) -, uma variabilidade tão grande, que não é fácil identificar qual linguagem (texto, som, imagem ou imagem em movimento) orienta os produtos jornalísticos digitais, e, por consequência, qual prática se firmará como um gênero no meio digital e quais sofrerão mudanças nos meios ditos tradicionais.

“(...) Com a convergência, estas novidades [textos mais curtos e diretos, palavras sublinhadas, hiperlink, enumerações, subtítulos informativos, uma idéia por parágrafo, escrita semelhante a da TV] introduzidas pelo jornalismo multimídia acabarão inevitavelmente por contaminar a linguagem dos outros meios. E difícil, pois, prever o futuro dos gêneros num quadro marcado pela generalização de tais práticas e linguagens, essencialmente porque este é um caminho ainda em pleno experimentalismo, e que se fará ao andar”. 13

Se, para a televisão, a imagem em movimento e o áudio são a linguagem característica, na mídia digital (Internet), não há ainda um consenso. Acredita-se que o texto orienta o produto hipermidiático ou que este texto é semelhante ao televisivo.

“(...) Text on television is mere ornamantation; words appear most often to reinforce the spoken message or to decorate the packages of products being advertised. (...) In television, text is absorved into the image, but in hypermidia the televised image becomes part of the text.” (Bolter: 1991: 26)

“Simultaneamente a escrita para a Web vai acompanhar estas mutações [nos gêneros e linguagens], privilegiando textos ainda mais curtos e directos; palavras sublinhadas ou destacadas com cores, e o hiperlink, para facilitar o varrimento; enumerações; subtítulos eminentemente informativos; uma combinação dos aspectos visuais da televisão com as características que tornam um texto scannable; a possibilidade de deambular e ser surpreendido; uma idéia por parágrafo e o recurso a uma ou várias pirâmides invertidas; uma escrita semelhante à de televisão e não redundante relativamente aos restantes elementos que compõem a peça (links para outros textos, fotos, áudio e vídeo). (...)” 14

Ou ainda, para Echeverría, há um predomínio do visual:

“(...) La cultura griega y el Renascimiento trajeron consigo el predomínio de la vista, y el tercer entorno puede ser considerado como uma expansión de las culturas de la imagem, dado el endudable predomínio de lo visual em E3. (...) De ahí que E1 y E2 tengam uma enorme ventaja sobre E3 por su capacidad plurisensorial, que resulta irrenunciable desde el punto de vista del bienestar y la calidad de vida.” (Echeverría: 1999: 103)

Uma pesquisa de Jakob Nielsen e John Morkes confirma a tese de Echeverría: mostra que 79% dos usuários praticamente não lêem, mas fazem um varrimento visual rápido (scanning) das páginas, já que estão aptos a processar simultaneamente múltiplas informações de origem diversa15. Nielsen dá sua receita para o texto digital: os sites deveriam ter ‘scannable texts’ com: palavra-chave sublinhada ou destacada; hiperlink; listas, uma idéia por parágrafo, o recurso da pirâmide invertida e metade das palavras de um texto convencional. São aspectos que influenciam a organização textual daquelas práticas que podem vir a se instituir.

O predomínio da imagem não quer dizer, no entanto, que os produtos da web são intrinsecamente audiovisuais como os da TV. A princípio, a imagem em movimento nos parece ser, necessariamente, a linguagem intrínseca ao meio. Acreditamos, no entanto, que para certos gêneros pode-se ter texto como espinha dorsal, para outros, imagem estática, em movimento ou áudio. O certo é que não se pode analisar um gênero a partir, isoladamente, de sua organização textual, de suas linguagens. Um debate de Marilena Chauí e Toni Negri na PUC-SP, gravado pela gramática da TV analógica, está disponibilizado (para assinantes) na TV UOL no canal ‘Entrevistas’ por trechos que, embora indicados com ‘trechos da entrevista’, são imagens seqüenciais de duas câmeras estáticas. As entrevistas, indicadas por outros quatro links no lado direito da página, levam para página do web site da Folha de S.Paulo e constituem as chamadas ‘ping-pong’. As imagens foram gravadas pela PUC, com vários outros objetivos, ao mesmo tempo em que as entrevistas foram pensadas para o impresso. Os produtos ficam um ao lado do outro, mas não são editados num só. Os modos de produção não se preocuparam com o produto final. A entrevista ping-pong, por exemplo, foi trabalhada com apenas, provavelmente, uma gravação analógica para ser transformada em texto impresso. Entretanto, no UOL News, pode-se assistir a entrevistas e ler, perguntas e respostas, ao mesmo tempo. Isso não implica num novo gênero, apenas por que há uma complementaridade do texto para a imagem. Não implica porque a finalidade, os estatutos, papéis dos participantes e o contrato são os mesmos de outras mídias. O único aspecto que marca diferença são o tempo/espaço, já que o usuário pode rever a entrevista, realizada numa tarde de quarta-feira, quantas vezes quiser. Neste caso, um aspecto que não influencia a ponto de se formar um novo gênero, mas, a partir do qual, pode surgir.

No ambiente digital, o espaço é comprimido, muda sua estrutura informativa e de documentação, no sentido de a memória coletiva tornar-se mais acessível a um maior número de pessoas (Echeverría), ao mesmo tempo em que possibilita enorme difusão de uma memória que, no jornalismo, se apresenta pela primeira vez como ‘memória múltipla, instantânea e cumulativa’ (Palácios: 2002). Os arquivos não só constituem produtos (que se vende pelo acesso), mas também são utilizados, mesmo que de maneira experimental e incipiente, na configuração de novos ‘textos’. É a partir do banco de dados que o portal Estadao, automaticamente (programação), disponibiliza, no canal ‘Diário do Passado’, 10 links com matérias de mesma data de 10 anos passados, além de um quadro à esquerda – chamado ‘Linha do tempo’ – com pequenas notas, cronologicamente distribuídas, cujo tema está relacionado ao tema do principal título link deste canal. O estatuto e o contrato de leitura se mantém em relação a qualquer utilização de arquivos nas mídias tradicionais, em concordância com a finalidade, de informação. E a organização textual?

Não há. Mas, potencialmente, a depender de como se efetive o modo discursivo, pode gerar mais de um gênero. Não há descrição, narração, argumentação ou enunciação que correspondam aos modos de relatar, comentar ou provocar (Charaudeau). A única argumentação está na escolha programada das 10 matérias com maior grau de noticiabilidade publicadas há 10 anos. O jornal impresso A Tarde já faz uso de seu arquivo há muito tempo, embora publique duas ou três notas na página de ‘Opinião’, nesse caso, de 50 anos anteriores à data da edição. Há uma relação com a atualidade (característica que singulariza o jornalismo), já que os acontecimentos têm a mesma data do dia em que se acessa o Diário do Passado. Potencialmente, o banco de dados pode vir a instituir uma prática (gênero) com certo modo discursivo, modo este que exigiria, ou a subjetividade (um jornalista) ou uma programação avançada, com finalidade e público definidos.

Este exemplo prova que o percurso de um usuário não cria sua própria narrativa, já que a lógica semântica é controlada pelo autor, ainda que seja programada:

“(...) Thus a number of database records linked together so that more than one trajectory is possible is assumed to constitute an “interectaive narrative”. But merely to create these trajectorys is of course not sufficient; the author also has to control the semantics of the elements and the logic of their connection so that the resulting object will meet the criteria of narrative as out-lined above. (...) However, if the user simple accessses different elements, one after another, in a usually random order, there is no reason to assume that these elements will form a narrative at all. (...)” (Manovich: 2001: 225)

Embora incapaz de criar uma lógica semântica, o percurso interativo é potencializado na mídia digital, principalmente, pela propriedade da hipertextualidade. Como diz Anabela Gradim (citação acima), não há como um documento digital não estar composto por diferentes blocos de informações interconectadas. Ainda que o hipertexto trabalhe contra a unidade de ação, a narrativa hipertextual prioriza os nós. Os diversos nós representam uma escrita não-linear, não seqüencial, constituída por blocos conectados por nexos eletrônicos – os links (Landow: 1995, Leão: 1999). A forma como os links estão organizados, hierarquizados e relacionados institui o tipo de narrativa.

Os links representam também a contextualização, categoria diretamente relacionada às de intertextualidade, intratextualidade, paratextualidade e, obviamente, hipertextualidade. Se, por exemplo, analisamos a charge, podemos dizer que o contexto (social imediato) está fora do texto, na intertextualidade e no saber social do leitor; já num artigo, o contexto é marcada e explicitamente intratextual, formatado pela organização textual. As hard news (plantão, últimas notícias) não têm link intra ou intertextual nas suas 4 ou 5 linhas, apenas como lista de arquivo, ordenada pela atualização (horário de publicação). Contextualmente, são caracterizadas por não serem, estritamente, hipertexto. É uma escolha dos autores (jornalistas), em detrimento de a tecnologia permitir ou não o uso de links. Ou seja, a forma como são ordenados, compostos, hierarquizados os links representam certa contextualização, que, por usa vez, representa o tipo de organização textual.

O interessante para o estudo dos gêneros é que o hipertexto reconfigura o conceito de autor, portanto, o de estatuto e de papéis que podem ter os participantes. Há uma redução da autonomia do autor em detrimento da perda de autonomia num texto multilinear e descentralizado, o que significa perda de autoridade. (Landow: 1995: 95-103). As colunas da mídia digital revelam a importância deste critério (estatuto) para a compreensão dos gêneros.

As colunas são, num impresso, reconhecidas por um título ou o nome do colunista, com espaço na página e periodicidade. No webjornalismo, são identificadas apenas pelo nome do colunista. Quando a página não contém uma seção ‘colunas’, possui, na própria home-page, a lista de nomes, que são links para o ‘texto’. Não importa quando, nem sobre o que escreveu, mas quem escreveu.

“(...) No solo por la firma em el índice, sino porque su tamano, mayor que el de los textos informativos, y su presencia invariable em la cabecera del texto hacen que sea materialmente imposíbel que um lector de médios eletrônicos lea una columna sin empezar por su firma16 (grifo nosso)

Se no impresso procurava-se a coluna de Jânio de Freitas ou Elio Gaspari, no webjornalismo basta clicar no nome do colunista. A escolha do nome como primeiro texto na hierarquia hipertextual explicita (com esta nova mídia) a importância da autoridade do jornalista neste tipo de produto. A força do estatuto do autor está na capacidade de análise da realidade e de colher informações novas e pertinentes. A perda de autonomia do autor devido ao hipertexto nada representa diante da autoridade que o estatuto dá ao colunista. O nível de autonomia do jornalista estaria sugerido também por suas escolhas quanto a links, sublinks, externos e internos ao seu produto, além das escolhas quanto às possibilidades multimidiáticas. Então, ainda que a mídia digital seja intrinsecamente hipertextual, multimidiática, interativa, isso não significa que, obrigatoriamente, todos os seus resultados materiais devam ser hipertextuais, multimidiáticos ou interativos.

Na mídia digital, jornalistas e leitores podem trocar e-mails e operar discussões em chats ou disponibilizar a opinião do leitor em comentários e fóruns. A troca de papéis possibilitada pela interatividade não se apresenta num comentário, entretanto, num fórum de discussão, as trocas de papéis são claras e necessárias. O fórum En Media, da revista En.red.ando, de Barcelona, tem tido um aumento constante no número de acessos. Para Luis Hermana, criador da rede - com 784 colaboradores espalhados pelo mundo em 2002 -17 o tipo de relações contribui para melhorar a formulação do pensamento em discussão:

“(...) En Media representa um espaço para debate e pesquisa que desaconselha investigar numa única direção. Quando alguém cita um projeto interessante estimula o usuário a conferir por si mesmo, clicando na conexão para ver de perto do que se está falando. (...)” 18

Hermana diz que a confiabilidade nos conteúdos depende da moderação, então do estatuto de um moderador, seus papéis e autoridade (autoria). Tanto o moderador, quanto os participantes, sem os quais não há fórum, são ativos ‘autores’ e ‘leitores’. No CMI-Brasil (já citado), o arquivo (com texto, fotos) que entra automaticamente na coluna da direita ganha o mesmo espaço que uma matéria produzida por um voluntário ou participante da rede.

A última propriedade das digitais que trataremos aqui é o tempo, multicrônico. No jornalismo digital, os limites de espaço e/ou tempo se dissolvem (Palácios: 2002). A atualização não mais estará determinada pela periodicidade, como num impresso ou para um telejornal, mas por outros fatores como linha editorial, estratégias de mercado, condições de produção, hábito de consumo e pelo grau de atualidade19 dos acontecimentos ou fatos. Tecnicamente, a atualização pode ser feita em qualquer lugar, a qualquer momento. A atualização marca a existência das hard news, inseridas num valor que persegue as sociedades atuais: a rapidez20. Já, a maioria das matérias da home de um canal de web sites como Folha Online ou do portal Estadao é atualizada no período de 24 horas, porque segue certo modo de produção. A atualização pode ter ou não ter um período definido. Cada gênero pode ter um tempo de atualização próprio.

No A Tarde Online, o link Eleições 2002 foi criado no período pré-eleitoral com informações de resultados e notícias das eleições presidenciais e parlamentares. Um site pode estar ou não no portal de acordo com o contexto, quando se acredita haver interesse do público consumidor. Neste site, pode-se atualizar apenas um dos gêneros. Além disso, a atualização é influenciada pela concorrência com outras mídias. As atualizações do portal A Tarde Online são feitas três vezes ao dia: entre 12 e 14 horas, 18 horas e depois da meia noite. Horários de pico de acesso e, principalmente, antecedentes aos telejornais baianos das TVs abertas, que estão programados para os períodos entre 12 e 13h30 e 18h30 e 19h. Dados sobre bolsa de valores são atualizados pelos digitais antes das tevês conseguirem publicar.
Bilbiografia

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Revistas


Pauta Geral: revista de jornalismo, editora Calandra, Ano 9, Nº 4, 2002.

Artigos e entrevista


Audiência em sites de jornais americanos cresce ate 38%. Matéria do www.comunique-se.com.br, Acesso em 09 de julho de 2002

Entrevista concedida por Gilles Lipovetsky a revista Veja em 25 de setembro de 2002.




1 Este artigo se originou do projeto de doutorado que começo a desenvolver na FACOM, a partir deste ano de 2004. A intenção é colocá-lo em discussão, na tentativa de também desenvolver um debate acerca do conceito de gêneros jornalísticos e do jornalismo digital.

2 Maingueneau, Dominique. Análise de textos de comunicação. 2ª ed., Rio de Janeiro, Cortez, 2002, pgs. 64-70.

3 O um dispositivo de enunciação adotado por um suporte a fim de estabelecer um vínculo com o seu público. No contrato de leitura importa o laço que se constrói com o ‘leitor’, a imagem daquele que fala (enunciador); imagem daquele a quem o discurso é dirigido (destinatário); e, a relação entre o enunciador e o destinatário proposta no e pelo discurso.

4 Parratt. Artigo citado.

5 Em entrevista a Boanerges Lopes e Luciana Gomes, da Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro, José Marques de Melo responde a pergunta sobre suas publicações: “Publiquei 20 livros e organizei 40 coletâneas. A lista dessas publicações está no perfil bio-bliográfico incluído no meu livro "Teoria da Comunicação: paradigmas latino-americanos". Tenho orgulho de todos eles, pois representam momentos singulares da minha trajetória intelectual. Contudo, os mais significativos do ponto de vista bibliográfico na área do Jornalismo são: "Estudos de Jornalismo Comparado" (São Paulo, Pioneira, 1972), "Sociologia da Imprensa Brasileira" (Petrópolis, Vozes, 1974) e "A Opinião no Jornalismo Brasileiro" (Petrópolis, Vozes, 1985).” (http://www.metodista.br/unesco/PCLA/revista3/entrevista3-2.htm)

6 Como exemplos, podemos citar a ECA-USP, a UFSC, UFBA, entre outros.

7 Luiz Beltrão defende a tese de uma concepção de liberdade associada a uma preparação do jornalista em nível universitário. Congresso Nacional de Jornalista em Curitiba. Beltrão, L. Jornalismo Opinativo, Porto Alegre, Sulina, 1980.

8 Luis Beltrão tornou-se em 26 de junho de 1967 o primeiro Doutor em Comunicação Social no Brasil ao defender na Universidade de Brasília a tese sobre Flokcomunicação. (http://www.metodista.br/unesco/PCLA/revista1/perfis2.htm)

9 Beltrão. Op. Cit.

10 Peñaranda U. Artigo citado.

11 Parratt, Sonia. Artigo citado.

12 Parratt, Sonia. Artigo citado.


13 Gradim, Anabela. Os gêneros e a convergência: o jornalista multimédia do século XXI. (www.labcom.ubi.pt/agoranet/pdfs2/gradim-anabela-generos-convergencia.pdf) Acesso em 13/11/02.

14 Gradim. Idem.

15 Nielsen, Jakob e Morkes, John. How Users Read on the web. 1997 (www.useit.com/alertbox/9710a.html) Acesso no dia 13 de novembro de 2002.

16 Paniagua, Pedro. Columninmo deportivo digital: noticia, ficcion y kitsch. (www.ucm.es?info?periol/Period_I/EMP/Portad_0.htm) Acesso em 20/11/02.

17 Gonçalves, Elias M. La estructura de la noticia em as redes digitales. Um estudio de las consecuencias de las metamorfosis tecnológicas em el periodismo. Tese defendida na Universidad Autónoma de Barcelona, Facultad de Ciencias de la Comunicación, Departamento de Periodismo. Barcelona, junho de 2002.


18 Entrevista com Luis Angel Hermana in: Pauta Geral: revista de jornalismo, ano 9, nº 4, 2002, pg. 20.

19 “Estas diferentes dimensões sociais estão articuladas no jornalismo porque a noção de atualidade é um eixo temático dotado de pelo menos três sentidos: num primeiro aspecto, a notícia jornalística imbricada na atualidade possui um sentido de proximidade entre atores sociais, não limitado a um aspecto espacial, mas de pertencimento a uma coletividade e de orientação sobre formas de agir socialmente; num segundo aspecto, opera um sentido de imediaticidade entre o seu recorte discursivo e a ocorrência. Mas estes dois aspectos não são suficientes para demarcar a atualidade jornalística, devendo-se destacar um terceiro: é atual no jornalismo tanto o que ocorre no tempo presente quanto o que apresenta um sentido de relevância pública, reconhecido pelo indivíduo como indispensável para participar da vida social.” Franciscato, Carlos Eduardo. A atualidade no jornalismo. Texto apresentado na Compós 2000.

20 “Em primeiro lugar, a comunicação, através de seus novos objetos, como computador, acesso à internet, telefones celulares. Hoje, o bem-estar está associado à mobilidade, ao acesso à informação e à rapidez. O que seduz na comunicação passa, cada vez mais, por tudo que acelera as coisas, pelas possibilidades de estar conectado com o externo, com os outros (...)” Entrevista de Gilles Lipovetsky. Revista Veja, 25 de setembro de 2002.





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