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AvaliaçÃo de desempenho de empresas brasileiras com açÕes na nyse: um estudo de correlaçÃo entre eva® e mva®


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AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DE EMPRESAS BRASILEIRAS COM AÇÕES NA NYSE: UM ESTUDO DE CORRELAÇÃO ENTRE EVA® E MVA®
Fátima de Souza Freire (ffreire@ufc.br)

Emmanuelle Sampaio Rocha (emmanuelle_rocha@yahoo.com.br)

Aline Marie Teófilo de Moura (alineteofilo@yahoo.com.br)

Universidade Federal do Ceará, Departamento de Contabilidade

Av. da Universidade, 2431, Benfica, CEP 60120-180, Fortaleza, Ceará.

Tel/Fax. 55 (85) 288 78 02


Palavras-chave: EVA®, MVA®, indicadores de desempenho.
Área: Indicadores Integrales de Gestión


AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DE EMPRESAS BRASILEIRAS COM AÇÕES NA NYSE: UM ESTUDO DE CORRELAÇÃO ENTRE EVA® E MVA®


RESUMO

Atualmente, em vista das constantes alterações no mundo dos negócios e da globalização, criou-se a necessidade de se obter informações acerca do grau de riqueza que as empresas estão proporcionando a seus beneficiados. Surgiram então indicadores de desempenho como, por exemplo, o Economic Value Added (EVA®) que mensura a criação de valor proporcionada pela empresa e o Market Value Added (MVA®) que dá informações do valor de mercado das mesmas. O presente trabalho tem como objetivo analisar o desempenho financeiro de 22 empresas brasileiras com ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE New York Stock Exchange) através dos indicadores EVA® e MVA®, bem como avaliar se há correlações entre tais indicadores. Para o cálculo dos indicadores foram levantados dados dos balanços das empresas disponibilizados no banco de dados ECONOMÁTICA, biênio 2001-2002. Conclui-se que o grau de correlação entre os indicadores analisados foi baixo.




1. INTRODUÇÃO
Nos últimos 10 anos, a utilização de indicadores de desempenho vem sendo intensificada no ambiente empresarial melhorando as interpretações dos resultados operacionais e possibilitando a execução de estratégias a curto e longo prazo.
Em vista da crescente aceleração das informações, alguns modelos de avaliação de desempenho já são considerados tradicionais, porque se baseiam somente em dados contábeis, não incluindo a exigência de rentabilidade mínima sobre o capital investido pelos acionistas e dando pouco ou nenhum tratamento para o risco associado à incerteza com relação aos resultados futuros (Bastos - 1999), como, por exemplo, os indicadores: Lucro Líquido – LL, Retorno sobre Ativos – RSA, Lucro por Ação – LPA e Retorno sobre o Patrimônio Líquido – RSPL que abordam somente conceitos de análise empresarial, não destacando a real criação de valor para os acionistas.
O conceito de criação de valor é relativamente recente e leva em consideração variáveis importantes como o custo monetário do capital aplicado, risco do negócio e valor do dinheiro no tempo. Dentro de tal conceito são inseridos os indicadores de desempenho como Valor Econômico Adicionado (Economic Value Added -EVA®) e Valor de Mercado Adicionado (Market Value Added - MVA®). Ambos foram registrados pela firma de consultoria Stern & Stewart e têm sido amplamente discutidos e aplicados em grandes corporações, tais como, Coca-Cola, a farmacêutica Eli Lilly, a empresa de tecnologia AMP e a empresa do setor alimentício Quaker Oat (KIMURA et al, 1999).
A utilização do EVA® e MVA® vem aumentando principalmente nas grandes empresas, porque elas necessitam informar aos seus investidores quanto de valor foi criado no exercício financeiro para captarem mais recursos de terceiros.
No início da década de 90, as empresas brasileiras começaram a ingressar na NYSE (Bolsa de Valores de Nova Iorque) porque os fundos de investimentos globais, que aplicam recursos no mundo todo, preferiam operar numa praça só, ficando mais fácil atrair uma gama de investidores estrangeiros em potencial. Precisamente, em 1992, a Aracruz Celulose S.A. foi à primeira empresa brasileira a emitir ADRs (American Depositary Receipts) - título emitido nos Estados Unidos para representar as ações de empresas estrangeiras. A estratégia da Aracruz serviu de modelo para as atuais 34 sociedades anônimas atuarem na NYSE, tornando-se excelentes amostras para a realização de estudos quanto à aplicação de indicadores de desempenho, em particular, o EVA® e o MVA®. A principal indagação é saber se houve uma melhora no desempenho financeiro e se existe uma correlação entre os EVA® e MVA® dessas empresas.
O presente trabalho tem como objetivo analisar o desempenho financeiro das empresas brasileiras com ações na NYSE através do EVA® e MVA®, observando suas vantagens e desvantagens e verificando até que ponto eles estão correlacionados. Os indicadores foram calculados a partir dos demonstrativos contábeis das empresas disponibilizados no banco de dados ECONOMÁTICA, biênio 2001- 2002, que serviram de base para o cálculo estatístico de correlação.
Na Seção 2, versa sobre o tema indicadores contemporâneos, abordando aspectos do EVA® e do MVA® iniciando pelos seus conceitos, formas de cálculo, vantagens e desvantagens, proporcionando uma visão abrangente que possibilite uma excelente fundamentação teórica. Na Seção 3, é analisado o desempenho financeiro das 22 empresas brasileiras com ações na NYSE, como também é verificada se há correlação estatística entre tais indicadores. As conclusões e as perspectivas são apresentadas no final deste trabalho.
2. INDICADORES DE DESEMPENHO CONTEMPORÂNEOS
Economic value added e EVA® são marcas registradas de propriedade da empresa de consultoria Stern Stewart & Co, que serve como instrumento de medição da criação ou destruição de riqueza, porque se estima a capacidade da empresa em remunerar o acionista acima do custo dos seus investimentos.
A Stern Stewart & Co. conceitua EVA® como uma estrutura integrada de gerenciamento de negócios e remuneração variável, que estabelece um novo direcionamento dentro da organização. Seu objetivo é maximizar o valor criado pela empresa através de uma mudança na cultura organizacional. Stewart (1991) diz que o EVA® é o lucro operacional líquido, menos o custo de oportunidade de todo capital empregado. Entende-se por custo de oportunidade o retorno mínimo aceitável dos investimentos, ou seja, é o valor que o acionista poderá ganhar aplicando em outro tipo de investimento (Ex.: bancos, financiadoras, fornecedores).
Para uma melhor compreensão, a seguir, será apresentado o método de cálculo do EVA® segundo KIMURA et al. (1999).
e = r – c
Onde, “e” é o termo padronizado do EVA®, “r” é a taxa de retorno e “c” é o valor da taxa do custo de oportunidade do capital de uma empresa. A taxa de retorno r é dada pela razão entre o retorno total (R) e o capital investido ou empregado (I).
R é igual ao Lucro Líquido (LL) somado as Despesas Financeiras (DF), diminuído dos Benefícios Fiscais (BF). Entende-se por (BF) o produto entre as DF e a alíquota do imposto de renda (TIR).
O “I” será igual à média aritmética dos ativos da empresa (A), divulgados nos balanços patrimoniais de dois períodos consecutivos (t-1 e t).
A taxa de retorno é calculada pela relação entre o retorno total e o capital investido. O retorno total é a soma do lucro líquido e da despesa financeira menos do benefício fiscal. O capital investido é calculado pela média aritmética dos valores dos ativos de dois anos consecutivos divulgados no balanço patrimonial.
A taxa do custo de oportunidade equivale ao custo médio ponderado de capital, onde nele são alocados os custos próprios e de terceiros, descritos na fórmula a seguir:


c = K *ck + D * cd

P P


Onde, “K” refere-se ao valor do capital próprio que será igual à média aritmética do valor do Patrimônio Líquido da empresa de dois períodos (t-1 e t). “D” refere-se ao valor de mercado das dividas e obrigações de terceiros, ou seja, representa a média aritmética do somatório do Passivo Circulante e Exigível em Longo Prazo entre dois períodos. “P” é o valor médio do Passivo Total entre dois períodos (somatório de K e D). “ck“ é a taxa do custo de oportunidade do capital próprio e “cd” é a taxa do custo de oportunidade do capital de terceiros. Enquanto a taxa relacionada ao custo de capital de terceiros pode ser representada pela taxa das instituições financeiras publicadas em todo o país, a taxa do custo de capital próprio pode ser representada pela taxa do custo de capital de terceiros, decrescido de 5%.
Para uma melhor compreensão, o Quadro 1 resume as variáveis que compõem a base de cálculo do EVA®.
QUADRO 1 – Componentes Utilizados para o Cálculo do EVA®

Variáveis

Retorno Total (R) =

(+) Lucro Líquido (LL)

(+) Despesas Financeiras (DF)

(-) Benefícios Fiscais (BF)

Investimento (I) =

(Ativo t-1 + Ativo t) / 2

Taxa de retorno (r) =

(R) / (I)

Patrimônio Líquido Médio (K) =

(Patrimônio Líquido t-1 + Patrimônio Líquido t) / 2

Dívidas e Obrigações Média (D) =

(Dívidas e Obrigações t-1 + Dívidas e Obrigações t) / 2

Passivo total (P) =

(K) + (D)



Taxa do custo de oportunidade (c) =

K *ck + D * cd

P P



Taxa do custo de Oportunidade do Capital Próprio (ck)

Taxa do custo de oportunidade do capital de terceiros (cd)

EVA® = (r) – (c)

Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados de Suen et al. (1999)


Quanto ao resultado do EVA®, algumas situações devem ser analisadas:
i) EVA® positivo indica que a operação, no período, apresentou retorno superior ao custo de oportunidade. Caso tenha ocorrido também uma variação positiva do EVA® entre dois períodos, a empresa vem tendo um excelente desempenho operacional;

ii) EVA® positivo, mas teve uma variação negativa entre dois momentos financeiros, indica que embora esteja ocorrendo criação de valor, o investidor deverá ficar atento às ações realizadas pela empresa investida e verificar as causas pela baixa de desempenho;

iii) EVA® negativo demonstra que aconteceu uma destruição de valor, mas caso ocorra uma evolução positiva de um ano para outro, indica que houve um esforço por parte da empresa em recuperar e criar riquezas. Ela pode estar numa fase de crescimento e maturação;

iv) EVA® negativo e apresentando uma evolução negativa de um exercício financeiro a outro, indica que ocorreu uma destruição de riqueza. O investidor deverá analisar que estratégias e ações estão sendo adotadas pela empresa para reverter à situação.


Vale ressaltar que o EVA® é um excelente instrumento de análise de desempenho, mas apresenta informações do passado da empresa, pois está voltado para a avaliação da gestão e comunicação dos resultados já alcançados. Ele consiste num instrumento gerencial interno sobre a geração de valor para o sócio, pois parte de informações contábeis e projeções econômicas, ajustadas de forma a minimizar distorções conceituais. Diferentemente desse indicador, o MVA® exige o conhecimento prévio do preço de mercado do investimento a ser avaliado.
Considerando-se, ainda, o foco e o entendimento da metodologia de criação de valor, o Valor de Mercado Adicionado (Market Value Added - MVA®) representa a expectativa do mercado em relação à situação da empresa. Ele é uma medida cumulativa de performance da empresa, pois indica o quanto de valor de mercado das ações tem agregado valor aos investidores. Possibilita ainda informar também se houve criação ou destruição de riqueza, demonstrando, portanto, o nível de acerto das decisões tomadas no passado até o presente (Malvessi, 2001).

Stewart (1991) define o MVA como a diferença entre o valor de mercado de uma companhia e o capital investido. Ele pode ser facilmente visualizado pela representação matemática, a seguir:




MVA® = valor de mercado ­ - capital investido

Onde, o valor de mercado é calculado pela multiplicação da quantidade de ações pelo preço das ações em certa data, a partir de informações das demonstrações contábeis e de informação de bolsas de valores e o capital investido corresponde à diferença entre os ativos operacionais e os passivos operacionais (Frezzati , 2001).


Quanto ao resultado do MVA®, algumas situações devem ser analisadas:
i) MVA® crescente indica que a empresa está produzindo (ou garante produzir) taxas de retorno mais altas que seu custo de capital, ou seja, há uma relação positiva entre os resultado operacionais e a gerência dos processos;
ii) MVA® decrescente representa uma redução nas expectativas dos investidores em relação à empresa, demonstrando que houve um retorno menor sobre o custo de capital.
Tais indicadores estão relacionados quanto à exploração eficaz dos recursos captados. Pode-se dizer, então, que enquanto o EVA® dá informações do resultado financeiro da empresa em um dado momento, o MVA® apresenta o somatório dos resultados passados da criação de valores para os acionistas. O primeiro é considerado um indicador estático já que é calculado a partir das informações de apenas um período (corresponde a um rendimento local) e, o segundo é um indicador dinâmico, pois considera, em seu cálculo, todo o histórico de mercado da empresa (um rendimento global). Os lucros imediatos estão ligados ao EVA® e o ganho acumulado (valor agregado) está relacionado ao MVA®, pois este se baseia na percepção do mercado sobre os esforços realizados pelos gestores para se gerar riqueza. Assim, pode-se concluir que o MVA® corresponde a todos os EVA®s realizados em determinado tempo, representando o valor presente dos EVA®s passados.
Com a finalidade de verificar se há existência de correlação entre tais indicadores, um estudo será apresentado, na seção a seguir.
3 – ANÁLISE DE CORRELAÇÃO ENTRE O EVA® E O MVA® - ESTUDO DE CASO
3.1 Desempenho Financeiro das Empresas Brasileiras
Fundamentalmente, questiona-se por que estudar as empresas brasileiras com ações no exterior. Para que uma empresa brasileira tenha papéis negociados na NYSE – New York Stock Exchange, ela necessita ajustar seus demonstrativos contábeis conforme as normas e leis estabelecidas pela SEC (Securities and Exchange Comission). Os americanos exigem que empresas estrangeiras convertam suas ações em ADR (American Depositary Receipt), pois há diferenças existentes nas normas contábeis dos países. Entende-se por ADR o principal certificado de ações emitido por bancos norte-americanos para empresas estrangeiras que atuam no seu mercado de capitais. Tais certificados existem por aproximadamente 70 anos, mas somente na década de 90 apresentaram um crescimento acentuado porque os investidores nacionais observaram que é mais vantajoso atuar na NYSE, já que os riscos cambiais são menores neste mercado de ações.
As empresas brasileiras ingressaram na NYSE porque queriam captar recursos no mercado internacional, valorizando suas ações, majorando seu goodwill (imagem, marca, capital intelectual etc.) e aumentando sua liquidez. Seus demonstrativos (Ex.:balanços, notas explicativas, relatórios administrativos e relatório de boas práticas de relacionamento com o mercado) passaram a ter uma nova roupagem, sendo bem mais atrativas aos investidores.
Pelas condições e estratégias de mercado que possuem, tais empresas se tornaram excelentes amostragens para realizar um estudo quanto à existência ou não de correlação entre os indicadores de desempenho. Neste trabalho, 22 empresas brasileiras com ações na NYSE, representando 64,7% do total de 34, deram suporte a investigação da existência de correlações entre o EVA® e o MVA®. Tais indicadores foram calculados a partir dos dados disponíveis no software contábil Economática, no biênio 2001-2002.
A partir das informações apresentadas na Tabela 1, pode se analisar o desempenho financeiro das empresas, como:


  1. em 2001, nenhuma empresa obteve um EVA® positivo;

  2. em 2002, 5 empresas se destacaram por apresentar um bom desempenho através da geração de um EVA® positivo, ou seja, as empresas: Ambev, Tele Celular Sul, Tele Nordeste Celular, Telemig e Ultrapar demonstraram capacidade de recuperação de riquezas perdidas;

  3. os resultados de EVA® negativos das empresas Embratel e Gerdau sinalizaram que aspectos da gestão devem ser revistos para que no futuro não haja destruição total de valor. Vale sinalizar que embora tais empresas tenham obtido um desempenho desfavorável, ocorreu uma melhora de um ano a outro (R$ 1.796.781,74 para a Embratel e R$ 736.190 ,28 para a Gerdau). Esse resultado permite inferir que o importante na análise não é apenas ver o valor absoluto do EVA®, mas também observar a sua variação entre dois períodos. Quando o desempenho do EVA® de um ano apresenta melhora em relação ao outro ano, significa que houve esforço da empresa para criação e/ou manutenção de valores;

  4. a Petrobrás, Unibanco e Bradesco tiveram as piores variações negativas, com (R$ 12.219.152,00), (R$ 2.811.193,00) e (R$ 1.590.545,00), respectivamente, demonstrando que houve um retorno menor sobre o custo de capital;

  5. o MVA® de 8 empresas decresceu de 2001 a 2002;

  6. 9 empresas tiveram uma variação positiva do MVA® em valores absolutos contra 13. Destacaram-se a Vale do Rio Doce, a Aracruz e a Ambev por obterem uma variação positiva no ano de 2001 para 2002, com R$ 16.077.669,00; R$ 2.960.157,00 e R$ 1.441.451,00, respectivamente, demonstrando que produziram taxas de retornos mais altas para seus acionistas e investidores.

TABELA 1 – EVA® e MVA® das Empresas Brasileiras com ADRs na NYSE – 2001 e 2002




EMPRESA

EVA

Δ ano

MVA

Δ ano

2001

2002

2001

2002

AMBEV

(1.053.559,96)

140.135,69

1.193.696

15.181.578,00

16.623.029,00

1.441.451

ARACRUZ CELULOSE

(1.557.406,70)

(1.172.941,57)

384.465

1.759.536,00

4.719.693,00

2.960.157

BANCO BRADESCO

(31.138.932,89)

(203.267.627,42)

(172.128.695)

5.409.134,00

3.818.589,00

(1.590.545)

BRASIL TELECOM

(4.779.397,74)

(5.065.908,58)

(286.511)

167.426,00

(634.111,00)

(801.537)

CIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO

(2.269.703,77)

(12.480.497,30)

(10.210.794)

2.191.506,00

2.576.604,00

385.098

CIA VALE DO RIO DOCE

(5.144.271,70)

(10.408.084,53)

(5.263.813)

9.099.056,00

25.176.725,00

16.077.669

EMBRATEL

(2.226.437,48)

(429.655,74)

1.796.782

(2.036.122,00)

(3.469.141,00)

(1.433.019)

GERDAU

(1.210.634,26)

(474.443,99)

736.190

(376.884,00)

643.861,00

1.020.745

PERDIGÃO

(120.929,63)

(6.264,76)

114.665

(3.022,00)

(137.160,00)

(134.138)

PETROBRÁS

(19.111.091,13)

(75.578.182,04)

(56.467.091)

25.843.649,00

13.624.497,00

(12.219.152)

SABESP

(5.092.480,15)

(5.931.945,50)

(839.465)

(4.237.386,00)

(4.626.355,00)

(388.969)

SADIA

(771.929,59)

(2.582.045,46)

(1.810.116)

(328.834,00)

(334.808,00)

(5.974)

TELE CELULAR SUL

(257.400,93)

11.509,41

268.910

388.248,00

94.408,00

(293.840)

TELE LESTE CELULAR

(157.090,74)

(11.311,86)

145.779

19.506,00

(232.092,00)

(251.598)

TELE NORDESTE CELULAR

(185.021,26)

15.721,14

200.742

457.634,00

226.809,00

(230.825)

TELE NORTE LESTE CELULAR

(92.747,11)

(16.232,41)

76.515

97.697,00

(113.666,00)

(211.363)

TELE SUDESTE CELULAR

(493.856,31)

(79.176,64)

414.680

615.805,00

994.158,00

378.353

TELE COMUNICAÇÃO SP

(2.210.341,55)

(2.038.126,55)

172.215

(163.098,00)

2.475.136,00

2.638.234

TELEMIG.

(196.625,06)

30.654,23

227.279

695.863,00

251.233,00

(444.630)

ULTRAPAR.

(235.988,98)

74.650,29

310.639

191.207,00

544.229,00

353.022

UNIBANCO

(18.609.316,01)

(207.678.391,93)

(189.069.076)

1.112.784,00

(1.698.409,00)

(2.811.193)

VOTORANTIM

(804.193,43)

(1.107.461,47)

(303.268)

491.746,00

1.775.232,00

1.283.486,00

Fonte: Elaborado pelos autores a partir do banco de dados do economática
Tais indicadores proporcionaram uma comunicação simples à cerca da realidade econômica do negócio, uma vez que não possuem cálculos refinados. Serve para o analista externo, estabelecer comparações entre empresas e realizar um benchmarking.
3.2. Análise de Correlação
Na realização do estudo, foram utilizadas as principais variáveis estatísticas (média, mediana, valor máximo e mínimo e desvio padrão) para obter resultados mais acurados quanto à existência de correlação entre os indicadores. (Ver Tabela 2 - Variáveis estatísticas cálculos a partir do EVA® e MVA® -2001 e 2002).


TABELA 2 – Variáveis estatísticas cálculos a partir do EVA® e MVA® -2001 e 2002







Média

Mediana

Máximo

Mínimo

Desvio Padrão

2001

EVA®

(4.441.789)

(1.132.097)

(92.747)

(31.138.933)

8.000.265

MVA®

2.571.683

422.941

25.843.649

(4.237.386)

6.539.196

2002

EVA®

(24.002.529)

(790.953)

140.136

(207.678.392)

60.876.238

MVA®

2.831.748

397.731

25.176.725

(4.626.355)

6.938.247

Fonte: Elaborado pelos autores
Percebe-se que nos dois anos analisados a média do EVA® é negativa podendo significar que a maioria das empresas estudadas não está gerando riqueza para os sócios e acionistas, mas podem estar em fase de maturação de seus investimentos por ingressarem tão recentemente no mercado americano. A mediana do EVA® em ambos os anos também é negativa indicando que há dificuldade dessas empresas de obter uma rentabilidade superior ao custo do capital empregado devido a grande competitividade.
No entanto, a média do MVA® é positiva demonstrando que o valor de mercado da maior parte das empresas é superior ao capital implantado pelos sócios. Implicitamente há uma indicação do crescimento potencial futuro dessas entidades.
A correlação tem como objetivo demonstrar a força do relacionamento entre o EVA® e no MVA® no período analisado. Segundo Stevenson (1981), quanto mais próximo de +1 ou -1 estiverem seus coeficientes representa que há um forte relacionamento entre os indicadores de desempenho em estudo. Na Tabela 3, encontra-se o resultado do estudo realizado com as 22 empresas brasileiras com ações na NYSE.
TABELA 3 – Resultado de Correlação entre EVA e MVA

Correlação

EVA® e MVA®.

2001

2002

-0,434137233

-0,025885171

Fonte: Elaborado pelos autores

O grau de correlação, considerando como variáveis as mudanças no EVA® e no MVA®, foi baixo para os dois anos analisados, tendo sido encontrado um r² (coeficiente de correlação) de 18,84 %. Conclui-se ainda que para o grupo de empresas com EVA® negativo a correlação se torna menos evidente.


No entanto, deve-se lembrar que a atualização dos grupos de contas contábeis (ativo permanente e patrimônio líquido) acaba por alterar o resultado operacional da empresa (fato não realizado no presente estudo) e que, conseqüentemente, altera o valor do EVA®, pois possuem em sua base de cálculo contas que deveriam ser corrigidas monetariamente. Sabe-se que embora a inflação seja elevada, desde 01/01/96, o governo brasileiro extinguiu a correção monetária dos balanços patrimoniais, por entender que os valores corrigidos afetariam o controle da economia. Logo, os resultados obtidos nas demonstrações contábeis não são ajustados, podendo provocar distorções na base de cálculo dos indicadores.
Assim, o estudo de correlação entre os dois indicadores deve ser visto com certas restrições, porque ficou latente que, dependendo da base de cálculo, circunstâncias e metodologias, pode-se chegar a conclusões contrárias sobre que medida melhor se correlaciona com retorno das ações e valor da empresa.
4. CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS
O presente estudo pode servir como um guia para os que desejam implantar e/ou utilizar o EVA® e o MVA® como ferramenta de medida de desempenho da criação de riqueza para seus acionistas, pois os tomadores de decisões necessitam de técnicas ágeis e eficazes de mensuração da performance econômico-financeira das empresas. Tais indicadores têm a capacidade de sinalizar as oportunidades de riscos associados ao capital investido. Portanto, facilita o processo de gestão dos negócios informando se determinada unidade da entidade está adicionando ou não valor aos acionistas.
Tais indicadores analisados em conjunto ajudarão na informação a priorizar e estabelecer metas internas e externas, de curto e de longo prazo, direcionando a administração da empresa para decisões estratégicas com foco na criação de valor ao acionista.

Uma empresa capaz de gerar EVA® positivos, ano após ano, provavelmente verá o seu MVA® crescer. Enquanto que outra empresa, apresentando EVA® negativos com certa freqüência, demonstra que está com dificuldade para desenvolver projetos com valor presente líquido positivo, o que cedo ou tarde se refletirá na queda do seu MVA® (Bastos, 1999).


No estudo ora apresentado, ficou bem claro que não está havendo uma correlação entre o EVA® e o MVA® das 22 empresas analisadas. Vale ressaltar que elas estão no mercado de ações de Nova Iorque há bem pouco tempo concorrendo com empresas bem mais estruturadas e experientes em capitação de valores no mercado internacional de capitais. Elas têm características e estratégias acima das demais empresas brasileiras por ter melhores recursos financeiros. Servem de modelos para outras que desejam atingir o seu nível de desempenho e, por isso, necessitam demonstrar os riscos e desempenhos financeiros com bem mais detalhes.

Um estudo comparativo com empresas estrangeiras de países com economias semelhantes ao do Brasil e papéis negociadas na NYSE poderá revelar o nível de desempenho e comportamento financeiro das empresas brasileiras já que a inserção neste mercado de ações é uma inovação. Pode-se também realizar um estudo somente sobre o desempenho das mesmas com aquelas que possuem apenas ações na BOVESPA, porque as ADRs servem também como parâmetro de oscilação para as respectivas ações negociadas no Brasil. As oscilações nas cotações dos ADRs podem precipitar flutuações nas ações, e vice versa. Logo, os resultados obtidos no MVA® dessas empresas sofrerão também alterações.



5. BIBLIOGRAFIA
BASTOS, Norton Torres de. Avaliação de desempenho de bancos brasileiros baseados em criação de valor econômico, Revista de Administração, São Paulo, v. 34, nº 3, julho/setembro, 1999.
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