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A cara do jornalismo no interior


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A cara do jornalismo no interior



Salvador Lopes Martins e Esdras Domingos da Silva.

Alunos do 8o período do curso de comunicação social: habilitação em jornalismo da PUC Minas Arcos.


Resumo: O artigo se propõe discutir a ética e o direito à informação a partir da história do homem e dos meios de comunicação. Toma por base a prática do jornalismo enraizado na ética como condição e não como alternativa. para o bom exercício da profissão. São abordados aspectos relativos à comunicação, com especial atenção à mídia impressa regional. Ainda somam-se questões co-relacionadas a atrelamento da imprensa regional aos poderes políticos e resistência à contratação de jornalistas formados. No texto, o interesse do leitor, o respeito ao jornalista formado e o debate sobre a conduta ética são tomados como pilares para a construção de uma nova mídia interiorana, em que o jornalismo represente não apenas um viés da democratização da informação, mas um espaço público com credibilidade para tal.
Palavra-chaves: ética, jornalismo interiorano e provisionário, história

O homem em suas origens paleozóicas descobriu que poderia não apenas se comunicar, mas registrar suas aventuras, amores e descobertas. Com o documento, ele poderia informar e utilizar aquele material como um arquivo, onde teria narrado parte de sua história.

Da pedra lascada a linotipo o mundo passou por várias transformações. A informação se tornou produto de primeira necessidade para o ser humano. “As trocas de informações atingiram intensidade e amplitude antes difíceis de imaginar. E a notícia, antes restrita e controlada pelo Estado e pela Igreja, tornou-se bem de consumo essencial” (LAGE, 1987, pp.8)

Conforme ressalta Fernando Oliveira Paulino, no artigo 1o da Declaração dos Direitos Humanos1 1 “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”.

Sendo assim, o direito à informação foi dado a todos e o de transmissão, de acordo com Lage, ao jornalista por meio da notícia. “A notícia se define como relato de uma série de fatos a partir do fato mais importante ou interessante; e de cada fato, a partir do aspecto mais importante ou interessante”.

Mas, a grande preocupação da imprensa, desde os “ideais iluministas franceses” 2, é como informar. O jornalista Dalton Jobim, no seu livro “O espírito do jornalismo”, lembra que a informação jornalística é superficial, colhida e redigida apressadamente.

“O jornalista não pode esperar tranqüilamente que a verdade saia do fundo do poço. Desce ao fundo do poço e vai surpreendê-la, de ‘câmara’ a tiracolo, mas logo descobre que a verdade tem muitas faces e, por isto, se limita a fotografar aquela que, conforme lhe segreda o instinto, deve interessar mais aos seus leitores”. (JOBIM, 1992)

Mesmo assim, conforme salienta Francisca Ester de Sá Marques, o jornalista reivindica para si o papel de “instituição da moral”, responsável pela transparência não só de preceitos éticos admitidos pelos cidadãos, “mas pela legitimação dos valores culturalmente estabelecidos como bons ou maus na prática social”. Cabe, então, ao jornalista uma busca deontológica da veracidade dos fatos. Nesse trabalho, de acordo com Paulino, deontologia é entendida como a ética aplicada ou a ciência que identifica os valores morais diretores de uma determinada atividade profissional. “Enquanto ciência de fatos de natureza moral, a deontologia implica, pois, não só uma enunciação do que é, mas também a enunciação do que deve ser”.

Os valores que regem a profissão jornalística são os mesmos constituídos para a convivência entre os seres humanos, como solidariedade, compaixão, tolerância e justiça social. Porém, a diferença entre um repórter e um médico, é que os jornais são “instrumentos de acesso ao mundo para o cidadão” (DINES apud COUTINHO). “Uma função primordial da mídia é fornecer um fórum. Numa democracia, todos os grupos devem poder exprimir-se” (AUGUSTO apud BERTRAND).

O jornalismo é uma atividade que se define por uma ética2 3 e não por uma técnica. Para Bernado Kucinski, essa ética é formada por um preceito universal de conduta aplicável em todas as circunstâncias, e que não admite adaptação ou compromisso. “É o imperativo categórico da verdade. Por esse motivo o jornalismo existe para socializar as verdades de interesse público, para tornar público o que os grupos de interesse ou poderosos tentam manter como coisa privada”. Ele ainda acrescenta:


“Essa busca de verdade de interesse público implica a adesão a uma deontologia, uma ética de procedimentos e que não se limita à técnica de bem escrever, abarcando todas as etapas da busca de verdade ou, para usar uma palavra mais precisa, da busca da veracidade dos fatos. E os fundamentos dessa deontologia são a honestidade intelectual e a perícia. O jornalista ético é o que age com a mesma honestidade intelectual que caracteriza o bom cientista.” (KUCINSKI).
Francisca Ester de Sá Marques observa que a atividade jornalística sempre parte do pressuposto “deontológico/moral” que é à esfera da informação correspondente não somente a veracidade dos fatos narrados e a fidelidade das opiniões, mas também a pertinência e o tratamento dos fatos a serem incluídos no agendamento midiático. Mas ao jornalista, segundo Francisco Karan, caberá perguntar, desconfiar, investigar, e saber que, no exercício de sua profissão, é necessário aceitar que existem fatos e versões, que embora o possam desagradar, têm direito de ocupar a “arena pública”, para que mais gente, de forma imediata, clara, rápida, massiva, planetária e em períodos curtos, possa ter acesso à produção e versão dos outros.

O exercício ético da profissão garantirá o acesso, previsto na Declaração dos Direitos Humanos, à informação a toda sociedade. Para isso, aconselha Iluska Coutinho, as chaves para o alcance da objetividade do repórter deveriam passar pela descrição do que é visto, isento de opiniões anteriores e “de modo algum deve misturar interpretação subjetiva com descrição do fenômeno” (COUTINHO apud VITA).

“A comunicação é um processo de seleção que se desenvolve em três níveis: produção, de um conteúdo informativo, difusão e aceitação desse mesmo conteúdo. E ainda um processo seletivo porque a comunicação desencadeia novas seqüências seletivas, despoleta nos sistemas novas séries de seleções, com base nas quais operam a redução de complexidade com que se confrontam e criam condições de estabilidade” (MARQUES apud ESTEVES apud LUHMANN).
Código de ética

No trânsito das informações, os jornalistas vêem-se na condição de ter que confrontar suas verdades todos os dias. Para Francisca Ester de Sá Marques, o profissional da comunicação deve ter uma “verdade que caracteriza com um conjunto de princípios valorativos e normas morais que funcionam como axiomáticos naturais” e que lhe indicam quadros de significação, onde as ações sociais se inserem.

Os profissionais de jornalismo contam com leis que regulamentam a profissão no Brasil. Nesse trabalho, entenda-se: lei é um conjunto de regras e leis de conduta (dispositivos legais, normas jurídicas) ditados pela autoridade constituída para ordenar e regulamentar as relações entre indivíduos, grupos ou organizações, cujo cumprimento é obrigatório, independente da vontade ou adesão dos indivíduos.

Em 1987, durante o Congresso Nacional de Ética, foi aprovado o Código de Ética dos Jornalistas. No artigo 7o , estabelece que “o compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação”.

O código fixa normas a que deverá subordinar-se a atuação do profissional, nas suas relações com a comunidade, com as fontes de informação, e entre jornalistas. O documento contém 27 artigos e 7 parágrafos que delimitam a profissão de jornalista e rege punições aos que transgredirem as normas. O código é dividido em “direito à informação”, “conduta profissional do jornalista”, “responsabilidade profissional do jornalista” e “aplicação do Código de Ética”.

Alguns escritores mostram-se céticos sobre a eficácia e utilização dos códigos, como Serge Halimi (KARAM apud HALIMI), por causa da falta de estudos e debates sobre o documento. No entanto, outros como Azar (KARAM apud AZAR) considera que os códigos contribuem “de maneira fundamental para criar e afirmar uma consciência moral coletiva dentro da profissão”.

“Com a divisão social do trabalho, a complexidade e a especificidade do trabalho jornalístico, o século XX viu nascerem e crescerem, em diferentes instâncias, regiões geográficas e atividades, os códigos deontológicos profissionais. A tecnologia acelerou este processo e os debates sobre o tema foram ampliados. Hoje, inúmeras empresas de comunicação e federações/associações de jornalistas subscrevem algum código de conduta, expressando limites e obrigações profissionais no campo ético. Embora não tenham expressão jurídica, tais princípios prescrevem normas morais para a atividade jornalística” (KARAM).
Ética no jornalismo do interior

“Ética ou etiqueta? Às vezes o comportamento da imprensa parece se reduzir a um receituário de boas maneiras” (ABREU apud BUCCI). É difícil falar sobre ética na imprensa regional quando ela ainda apresenta sintomas de vinculação com os “donos do poder”.

A própria discussão sobre a ética jornalística está aquém de seus objetivos, uma vez que proliferam as publicações sobre ética voltadas apenas para estudantes e profissionais do jornalismo. O cidadão, maior interessado na divulgação da informação de interesse público, fica, quase sempre, alheio ao processo que estipula, cria, questiona e modifica as normas de conduta desses profissionais.

Eugênio Bucci, no livro “Sobre ética e imprensa”, observa que o único interessado na discussão ética é o cidadão – não os proprietários dos órgãos de imprensa, não os jornalistas, não os governantes (que também são cidadãos, mas se encontram investidos de condições que os diferenciam dos demais). Ele ainda acrescenta:

“O único interessado é o cidadão como outro qualquer, aquela pessoa comum que consome as notícias e que, no fim, é o beneficiário final do jornalismo de qualidade – ou a vítima do jornalismo vil. É por isso que essa discussão vale a pena, faz sentido e, mais que isso, é urgente, principalmente na imprensa interiorana” (BUCCI).
Para reforçar a discussão ética que está longe do cotidiano dos interioranos, Abreu cita BUCCI:

“A etiqueta cria um balé de sorrisos e saudações que celebram a autoridade posta, traduzindo-se numa singular estética da conduta; extrai sua beleza dos meneios em glória da hierarquia e do silêncio sobre o que se esconde nas alcovas. Ela não se pergunta do poder. Ela não inquire – nem se deixa inquirir. Não por acaso, a etiqueta é o orgasmo social da aristocracia” (ABREU apud BUCCI).


Produção: desafio para manutenção da ética

A produção da informação na imprensa interiorana ainda é um desafio para a manutenção e vivacidade da ética. Abreu lembra que a imprensa do interior ainda está presa a promiscuidade entre imprensa e poder. A imprensa do interior tende a ser opinativa e pouco imparcial. Isso ocorre, entre outras coisas, porque o jornalista, conforme expõem Daniella Rubbo, Maria Érica Lima e Maria do Socorro Veloso, está despreparado e não possui “um simples arremedo de ética”.

O caráter opinativo característico da mídia impressa interiorana, conforme já dito, segue ditames pré-determinados que vão além do simples despreparo. Um dos elementos que comprovam essa assertiva é o atrelamento dos periódicos regionais aos órgãos públicos e, de forma mais abrangente, ao poder executivo local. O resultado dessa imparcialidade timidamente mascarada é a produção de um jornal descompromissado com o interesse público e servente, na sua linha editorial, de interesses que perpassam as questões políticas e econômicas. A presença dos interesses políticos não é percebida apenas na linha editorial dos jornais. Muitas vezes, autoridades do município ocupam posições de chefia nos periódicos ou são seus proprietários. Para Daniella Rubbo, Maria Érica Lima e Maria Veloso, isso compromete a apuração e a edição, resultando em textos mal escritos, inconclusos e débeis.

“Antes de mais nada é preciso conhecer de perto esse mercado ainda dominado por muito aventureirismo empresarial, o que leva alguns meios acadêmicos a se distanciarem dele, ao confundirem tal atividade como pura e simples ‘picaretagem’, isto é, um jornalismo voltado apenas para o faturamento, sem distinção entre notícia e matéria paga, resultando em baixa credibilidade diante do público, principalmente por causa das influências políticas, partidárias, econômicas, religiosas e etc.” (Pedro Celso Campos, 2000)


Além da fuga do “jornalismo aventureiro”, uma das maneiras de desvincular o jornal de interesses partidários, é a separação da sua redação do departamento comercial ou responsável pela captação de assinantes. Para tal, deveria ser feito um exaustivo trabalho em duas frentes. Na redação, como não poderia ser de outra forma, pautar a apuração pelo apartidarismo e profissionalismo. No setor comercial ou de assinantes, faz-se necessário um trabalho que vise dar amplitude ao trabalho feito no jornal, para que se consiga assinantes em número suficiente para que o periódico mantenha sua independência e sirva ao seu real patrão: o leitor.

“Independência editorial, portanto, significa manter a autonomia para apurar, investigar, editar e difundir toda informação que seja de interesse público, o interesse do cidadão, e não permitir que nenhum outro interesse prejudique essa missão”. (BUCCI, pp. 56).


Para Pedro Celso, isso exige bom planejamento administrativo e qualidade no produto final. “O leitor dará preferência ao jornal bem feito, sério, isento, independente, que está a serviço da comunidade, e não deste ou daquele grupo de poder.”

Marginalização profissional

O profissional formado em jornalismo sofre com as resistências dos proprietários dos veículos de comunicação no interior. Apesar da instalação de universidades em cidades longe das capitais, é lá que a maioria dos graduados em comunicação procura sua colocação no mercado. Ainda que a disputa por uma vaga exija qualificações que uma cidade no interior não oferece, como experiência ao recém-formado, o graduado em jornalismo parte em busca de uma colocação no competitivo e restrito mercado jornalístico metropolitano.

A capacitação acadêmica sem a mudança de postura da imprensa regional frente ao novo profissional do jornalismo que se forma no seio de sua terra, interrompe um trabalho anterior à sua formação e impede a mudança de perfil do jornalismo regional, mantendo-o vicioso e amador.

Há proprietários de jornais interioranos que preferem e contratam alunos com outra formação que não a jornalística. Uma das alegações para tal atitude é o alto custo do profissional formado em jornalismo. Os alunos formados em letras representam a grande parte dos profissionais nas redações dos periódicos do interior. A prática da atividade jornalística por alunos de jornalismo (estagiários) é proibida pela resolução 002/84 do Conselho Federal da Educação.

Bons exemplos são os três jornais de Formiga3: dois semanários e um diário. Em nenhum dos veículos há jornalistas formados, somente provisionados4. O semanário “Tribuna Formiguense” conta com duas pessoas na redação, um formado em turismo e outro em letras. Já o “Nova Imprensa”, além do provisionado, conta com alunos de jornalismo. O diário “O Pergaminho” tem, no seu quadro de repórteres, duas graduadas em letras, quatro estudantes de jornalismo, um de letras e outro de educação física.

Os proprietários dos periódicos alegam também que, apesar da formação acadêmica do jornalista incluir disciplinas ligadas à redação, não há garantias de que faça bom uso das técnicas a elas relacionadas. Já o graduado em letras traz em sua bagagem teórica uma formação específica para o uso e ensino dessas técnicas, o que lhe confere maior domínio sobre a língua portuguesa.

A prática de privilegiar, na mídia impressa regional, profissionais graduados em outras áreas que não a jornalística, mostra que o subaproveitamento das tecnologias estende-se também à contratação de jornalistas formados. Esse detrimento revela, no entanto, não o subaproveitamento desse profissional, mas a negligência de sua formação.

No produto final, que é o jornal, muitos perdem: o leitor, a publicação e o profissional em jornalismo. Apesar de desenvolverem textos corretos, os graduados em letras não possuem formação que garante um corpo teórico que lhe dê as habilidades necessárias para a produção da informação jornalística. Durante a formação do jornalista, o graduando cursa disciplinas que lhe dão condições de encarar criticamente.

A mídia regional também perde com a desvalorização do graduado em comunicação. Um outro profissional que ocupe a função do jornalista estará mais suscetível às intempéries da rotina jornalística. O formado em outras áreas terá menor traquejo no contato com fontes e autoridades, colocando em risco a informação veiculada.

O jornalista que não consiga exercer a profissão na mídia local, mas que encontre colocação nos jornais das capitais dará mais condições para que a mídia metropolitana ingresse no interior. Essa contribuição do jornalista interiorano reflete a sua capacidade de representar as comunidades mais afastadas dos grandes centros, suas carências, sua cultura, resumindo, seus interesses. Quando negligencia esse potencial, a mídia local perde leitores, anunciantes e credibilidade. E credibilidade é conquistada por profissionais comprometidos com a verdade dos fatos. Nesse âmbito, a formação acadêmica agrega à formação humana elementos que qualificam o jornalista para o exercício da profissão. Para Bucci, “isso se traduz por currículos que contemplem não apenas a existência de uma disciplina sobre ética, mas o compromisso ético como fundamento de cada uma das disciplinas”.



Considerações finais

O jornalismo regional, como conta Gastão Thomaz de Almeida, ainda é conhecido pelo seu “abre e fecha de jornais”. Mas é nele que a identidade de uma região é representada, porque a mídia interiorana incorpora elementos típicos da cultura local na transmissão das informações. Para João Carlos Correia, “a identidade de regiões comporta a necessidade de mecanismo de produção simbólica que contemplem o reforço do sentimento de pertença”. O jornalismo regional pode, além de tornar representada a sociedade ou a comunidade local, ampliar o espaço democrático de discussão dos interesses vigentes. O resultado é que a comunidade se torna agente da construção da nova mídia impressa local. Porém, boa parte da imprensa regional ainda encontra-se atrelado aos poderes executivos municipais. O tempo de vida dos periódicos do interior está relacionado com o período das gestões das administrações municipais.

Na mídia regional, a proximidade com as fontes torna o jornalista mais suscetível ao contato com as autoridades locais, o que facilita a prática de corrupção. Isso ocorre porque nas cidades interioranas as pessoas têm mais acesso umas às outras devido ao pequeno espaço geográfico. Porém, um distanciamento editorial entre o repórter e os agentes do poder poderia facilitar que o jornalista cumpra o seu papel sem ferir os preceitos éticos.

Mas, não adianta que o homem se constitua um ser ético, se transforme em um profissional ético, se o seu potencial for colocado a serviço dos veículos de comunicação distantes da comunidade onde construiu a sua identidade. O jornalismo regional permanecerá, dessa forma, na condição de amadorismo, condenado ao desvirtuamento de função, delegando a uns poucos a tentativa quase que isolada de se fazer um jornalismo de qualidade.

A ética no jornalismo, inclusive interiorana, só conseguirá ser implantada nos periódicos quando houver a conquista da liberdade somada à responsabilidade. Alguns jornais têm investido na busca de profissionalismo e amadurecimento para que conquiste a credibilidade do público, como pesquisas de opinião. Outros, como o diário O Pergaminho, incluem colaboradores de renome nacional, como Gilberto Dimenstein, Rubem Alves, Frederico de Mendonça e Murilo Badaró. Esse jornal formiguense ainda inclui no seu processo de democratização a figura do ombudsman, com liberdade redacional e sem interferência do periódico.

“O jornalista deve, acima de tudo, buscar a verdade dos fatos. O jornalista precário que possui a perspectiva do publicitário, até mesmo porque recebeu sua designação de ‘jornalista’ por um consentimento dos amigos, não tem qualquer compromisso com a verdade. Não tem critérios para estabelecer a verdade dos fatos. Sua ‘verdade’ é dependente do ângulo em que observa os fatos e dos mimos que recebe diariamente. Essa situação do jornalismo nos centros regionais ou de menor porte resulta num jornalismo pobre, onde os elogios aos amigos tornam-se corriqueiros. É o colunismo social de pior qualidade travestido de jornalismo. A designação e a identidade jornalística se transformam nessas situações em sinônimo de ‘jabá’, para usar um termo do vocábulo do jornalismo.” (Gerson Martins, 2004)


Se o jornalismo interiorano quiser ganhar a credibilidade dos leitores e o reconhecimento “glocal”, terá que utilizar as mesmas ferramentas dos grandes jornais sem menosprezar os interesses e as especificidades do interior.
Referências bibliográficas

I - Livros

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ALMEIDA, Gastão Thomaz. Imprensa do interior: um estudo preliminar. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 1983, 59p.

BUCCI, Eugênio. Sobre ética e imprensa. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, 245p.

CHAPARRO, Manuel Carlos. Pragmática do jornalismo: buscas práticas para uma teoria de ação jornalística. São Paulo: Summus, 1993, 131p.

DINES, Alberto. O papel do jornal: uma releitura. 7a ed. São Paulo: Summus, 2001. 157p.

FERNANDES, Mario Luiz. A força do jornal do interior. Santa Catacatarina, 2003, 224.

JOBIM, Dalton. O espírito do jornalismo. 20a ed. São Paulo: ComArte, 1992, 222p.

LAGE, Nilson. Estrutura da notícia. São Paulo: Ática, 1987, 64p.

MACHADO, Elias. O ciberespaço como fonte para os jornalistas. Bahia, Summus, 2003, pp. 93 – 108.

MARX, Karl. Trad. Cláudia Schilling e José Fonseca. A liberdade de imprensa. Porte Alegre: IePM editores, 1980, 132p.

MELO, José Marques de. História do pensamento comunicacional. São Paulo: Paulus, 2003, 373p.

NOBLAT, Ricardo. A arte de fazer um jornal diário. São Paulo: Editora Contexto, 2003, 174p.

VALLS, Álvaro L. M. O que é ética. 9. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994, 82p. (Coleção primeiros passos, 177)

II- Documento digitais

ABREU, Allan de. A ética como etiqueta. Disponível em http:/www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos. Acesso em 14 set 2004.

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CAMPOS, Pedro Celso. O papel do jornal no interior. Disponível em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos. Acesso em 20 agos 2004.

COUTINHO, Iluska. O conceito de verdade e sua utilização no Jornalismo. Disponível em iluskac@uol.com.br. Acesso em 19 nov 2004.

CORREIA, João Carlos. Jornalismo regional e cidadania. Disponível em http://bocc.ubi.pt/pag/correia-joao-jornalismo-regional.html. Acesso em 4 out 2004.

DALTOÉ, Andrelise. A estrutura da notícia desde a invenção da escrita. Disponível em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos. Acesso em 30/03/2004.

GENTILLI, Victor. Lei, ética e deontologia. Disponível em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/da010820011.htm. Acesso em 7 de nov 2004

KARAM, Francisco. A ética na formação profissional. Disponível em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/da090520013p.htm. Acesso em 12 dez 2004.

MARINI, Wilson. Agilidade no interior. Disponível em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos. Acesso em 30 nov 2003.

______________. Os jornais do paraíso. Disponível em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos. Acesso em 20 jul 2004.

MARTINS, Gerson. Jornalismo e responsabilidade social. Disponível em



http://www.gersonmartins/artigos/jornalismo_regional.html. Acesso em 19 set 2004.

________________. Jornalismo regional: das primeiras impressões ao fortalecimento da imprensa do interior. Disponível em http://www.gersonmartins/artigos/jornalismo_regional.html. Acesso em 30 jun 2004.

PAULINO, Fernando Oliveira. Imprensa, cidadania
e direitos humanos
. Disponível em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/mo200399.htm. Acesso em 13 dez 2004.

RUBBO, Daniella; LIMA, Maria Érica, VELOSO, Maria do Socorro. Jornalismo como instrumento de resgate e construção da história regional. Disponível em http://www.professoresjornalismo.jor.br/grupo_trabalho/pesquisa_graduacao.../socorro.ht. Acesso em 30 jun 2003.

KUCINSKI, Bernardo.Uma nova ética para uma nova modernidade. Disponível em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/da010520021p.htm. Acesso em 15 dez 2004
III- Tese

MARQUES, Francisca Ester de Sá. Ética e discurso jornalístico. Artigo parte da tese de doutorado desenvolvida na Universidade Nova de Lisboa



1 Segundo Fernando Oliveira Paulino, a Declaração dos Direitos Humanos foi adotada em 10 de dezembro de 1984 por 48 nações, em resolução da 3a Sessão Ordinária das Nações Unidas. “Os principais objetivos foram consagrar os valores de cunho universal como o direito à dignidade a todos os membros da família, à liberdade de palavra e crença, à igualdade de direitos do homem e da mulher”.

2 Ética: (do lat. ethica gr. ethiké.) estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto (Dicionário Aurélio – Século XXI). Para o professor do curso de jornalismo da PUC Minas Arcos João Evangelista Rodrigues, que ministra a disciplina “Ética em Jornalismo”, ética significa o conjunto de normas que devem ser observadas para o desempenho das atividades pessoais. Para alguns autores, completa, ética e moral são vistas ora como semelhante ou sinônimos. “A moral pode ser tida como mais especulativa (teórica), enquanto que a ética, como mais aplicativa (prática)”.


3 Formiga: Cidade localizada no Centro-oeste de Minas Gerais, localizada a 230 quilômetros de Belo Horizonte. O município tem, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 65 mil habitantes.

4 Jornalista provisionado: É a pessoa que cumpre a função de jornalista, mas não é formada. Ela tem uma autorização do Ministério do Trabalho. Além de escrever corretamente, cabe ao repórter uma apuração ética, contextualizada, seguindo parâmetros e antevendo situações vivenciadas durante o curso, que acabam sendo reproduzidas no contato direto com as fontes de informação.


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